11 - sexta-feira – Abertura das inscrições para o Pavio Sessão Erótica
No último sábado de novembro, a Secretaria de Cultura, fará mais uma edição extra do Pavio da Cultura (Sarau cultural). Dessa vez o evento será erótico. Tanto os interessados em recitar poesias como os interessados em assistir o evento, deverão ser maiores de 18 anos e se inscrever no Centro Cultural á partir do dia 11 de novembro.
Local: Centro Cultural.
Gratuito.
12 – sábado – às 20h00 – Pavio da Cultura Sessão Negra
Em comemoração ao Mês da Consciência Negra esta edição terá como foco a temática racial.
Os interessados em apresentar os seus trabalhos, podem entrar em contato com a Coordenadoria de Literatura na Secretaria Municipal de Cultura.
Local: Centro Cultural.
Gratuito.
25 – sexta-feira – às 20h00 – Trajetória Literária c/ Marcelino Freire
Dando continuidade ao projeto que consiste em trazer para a cidade, escritores nacionalmente conhecidos, o escritor Marcelino Freire vem á Suzano para falar de sua trajetória no meio literário.
Local: Centro Cultural
Gratuito.
26 – sábado – às 20h00 – Pavio Erótico*
Leitura e interpretação de textos, peça teatral, pinturas, desenhos, apresentação musical e filmes. Tudo isso num pacote de erotismo para esquentar á noite de sábado.
No dia haverá textos (poesias e contos) em sistema Selv-Service para as pessoas que não virão munidas de poesias.
* Proibido para menores de 18 anos.
Gratuito.
04 novembro, 2005
Novo texto...
TRABALHADORES DO BRASIL
Marcelino Freire
Enquanto Zumbi trabalha cortando cana na zona da mata pernambucana Olorô-Quê vende carne de segunda a segunda ninguém vive aqui com a bunda preta pra cima tá me ouvindo bem?
Enquanto a gente dança no bico da garrafinha Odé trabalha de segurança pega ladrão que não respeita quem ganha o pão que o Tição amassou honestamente enquanto Obatalá faz serviço pra muita gente que não levanta um saco de cimento tá me ouvindo bem?
Enquanto Olorum trabalha como cobrador de ônibus naquele transe infernal de trânsito Ossonhe sonha com um novo amor pra ganhar 1 passe ou 2 na praça turbulenta do Pelô fazer sexo oral anal seja lá com quem for tá me ouvindo bem?
Enquanto Rainha Quelé limpa fossa de banheiro Sambongo bungo na lama e isso parece que dá grana porque o povo se junta e aplaude Sambongo na merda pulando de cima da ponte tá me ouvindo bem?
Hein seu branco safado?
Ninguém aqui é escravo de ninguém.
MARCELINO FREIRE é autor, entre outros, dos livros de contos “Angu de Sangue” e “BaléRalé”, ambos publicados pela Ateliê Editorial. Em 2004, idealizou e organizou a antologia “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século”. "Trabalhadores do Brasil", acima, faz parte do seu livro "Contos Negreiros", recém-lançado pela Editora Record. Mais informações sobre autor e obra, acesse www.eraodito.blogspot.com
Marcelino Freire
Enquanto Zumbi trabalha cortando cana na zona da mata pernambucana Olorô-Quê vende carne de segunda a segunda ninguém vive aqui com a bunda preta pra cima tá me ouvindo bem?
Enquanto a gente dança no bico da garrafinha Odé trabalha de segurança pega ladrão que não respeita quem ganha o pão que o Tição amassou honestamente enquanto Obatalá faz serviço pra muita gente que não levanta um saco de cimento tá me ouvindo bem?
Enquanto Olorum trabalha como cobrador de ônibus naquele transe infernal de trânsito Ossonhe sonha com um novo amor pra ganhar 1 passe ou 2 na praça turbulenta do Pelô fazer sexo oral anal seja lá com quem for tá me ouvindo bem?
Enquanto Rainha Quelé limpa fossa de banheiro Sambongo bungo na lama e isso parece que dá grana porque o povo se junta e aplaude Sambongo na merda pulando de cima da ponte tá me ouvindo bem?
Hein seu branco safado?
Ninguém aqui é escravo de ninguém.
MARCELINO FREIRE é autor, entre outros, dos livros de contos “Angu de Sangue” e “BaléRalé”, ambos publicados pela Ateliê Editorial. Em 2004, idealizou e organizou a antologia “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século”. "Trabalhadores do Brasil", acima, faz parte do seu livro "Contos Negreiros", recém-lançado pela Editora Record. Mais informações sobre autor e obra, acesse www.eraodito.blogspot.com
Crônica...
CARLO, UMA ELEGIA
(Luiz Alberto Machado)
(em memória de todas as vítimas da injustiça)
Enquanto o fabrico desenfreado e o tráfico de armas cruéis avolumam as transações transnacionais, fazendo com que um papa genuflexo vá deprecando um mundo justo para a hipocrisia desmesurada - e ele sentado no espólio substraído das riquezas dos que ficaram pobretões -, abatem Carlos numa praça de Gênova. Enquanto a droga lícita do capital alimenta a ganância globalizadora dos senhores do mundo, protocolando hegemonias mundializadoras de um G8 que não define nada que possa favorecer uma paridade no planeta, apenas a ampliação do fosso abissal da desigualdade espragatando a esperança dos excluídos, estertora Carlo numa praça de Gênova. Enquanto o maior picareta carcamano recepciona as maiores economias mais produtivas do mundo, com os USA-e-nos-joga-fora fortificado com sua conservadora maneira de manipular a todos, uma pessoa morre assassinada por minuto na terra, e sucumbe Carlo na exatidão das estatísticas aterradoras. Enquanto a vida torna-se cada vez mais um pormenor na manutenção paradigmática duma mecânica estrutura hedionda; e a biodiversidade é loteada na exploração insustentável de um legado nefasto para os que virão amanhã; e o homem é escravizado pela vontade dos que querem a galáxia submetida ao seu mando; e a segregação levanta cada vez mais o muro limítrofe entre prósperos e famintos; e o dinheiro avilta a solidariedade, a cidadania e a sustentabilidade, Carlo vai se esvaindo em nome de um protesto doloroso. E se chamamos de gato ao gato e ao governante de patife, é porque não se perdoa a omissão dos insensíveis.
Se a terra é redonda e ainda cagam pelos quatro cantos do mundo, é porque a mentira está cultuada no tempo e no espaço.
E se nada acontecesse, nada valeria nada, porque é mais fácil assistir a morte de Carlo numa praça de Gênova, que cantar uma canção uníssona pela vida.
©Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. http://www.luizalbertomachado.com.br
(Luiz Alberto Machado)
(em memória de todas as vítimas da injustiça)
Enquanto o fabrico desenfreado e o tráfico de armas cruéis avolumam as transações transnacionais, fazendo com que um papa genuflexo vá deprecando um mundo justo para a hipocrisia desmesurada - e ele sentado no espólio substraído das riquezas dos que ficaram pobretões -, abatem Carlos numa praça de Gênova. Enquanto a droga lícita do capital alimenta a ganância globalizadora dos senhores do mundo, protocolando hegemonias mundializadoras de um G8 que não define nada que possa favorecer uma paridade no planeta, apenas a ampliação do fosso abissal da desigualdade espragatando a esperança dos excluídos, estertora Carlo numa praça de Gênova. Enquanto o maior picareta carcamano recepciona as maiores economias mais produtivas do mundo, com os USA-e-nos-joga-fora fortificado com sua conservadora maneira de manipular a todos, uma pessoa morre assassinada por minuto na terra, e sucumbe Carlo na exatidão das estatísticas aterradoras. Enquanto a vida torna-se cada vez mais um pormenor na manutenção paradigmática duma mecânica estrutura hedionda; e a biodiversidade é loteada na exploração insustentável de um legado nefasto para os que virão amanhã; e o homem é escravizado pela vontade dos que querem a galáxia submetida ao seu mando; e a segregação levanta cada vez mais o muro limítrofe entre prósperos e famintos; e o dinheiro avilta a solidariedade, a cidadania e a sustentabilidade, Carlo vai se esvaindo em nome de um protesto doloroso. E se chamamos de gato ao gato e ao governante de patife, é porque não se perdoa a omissão dos insensíveis.
Se a terra é redonda e ainda cagam pelos quatro cantos do mundo, é porque a mentira está cultuada no tempo e no espaço.
E se nada acontecesse, nada valeria nada, porque é mais fácil assistir a morte de Carlo numa praça de Gênova, que cantar uma canção uníssona pela vida.
©Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. http://www.luizalbertomachado.com.br
03 novembro, 2005
+ Poesia
Missões missivas ou remissivas
(Fernanda Hanna)
Pensando sobre a vida e como a vejo,
Retratando-a em cadernos com tinta e letra “de mão”,
Tenho percebido o quanto não há acaso em tudo ou nada.
Tenho certeza que esta vida é feita de missões
E não encontros furtivos e casuais,
A despeito de haver no humano mais que ser,
O ego que aqueles o faz querer.
Não respiramos porque é ar,
Mas para o cérebro oxigenar,
Para sorrir, andar, chorar, falar...
Assim, creio que os encontros que temos
Ao longo de nossas vidas integram as tais missões a que viemos.
E, tão “sui generis” que só quando acontecem é que
As percebemos missivas ou remissivas, talvez até quando findam.
Sem olvidar que, uma sempre demandará a outra,
Porque a vida é um ciclo.
São Paulo, 19 de setembro de 2005.
(Fernanda Hanna)
Pensando sobre a vida e como a vejo,
Retratando-a em cadernos com tinta e letra “de mão”,
Tenho percebido o quanto não há acaso em tudo ou nada.
Tenho certeza que esta vida é feita de missões
E não encontros furtivos e casuais,
A despeito de haver no humano mais que ser,
O ego que aqueles o faz querer.
Não respiramos porque é ar,
Mas para o cérebro oxigenar,
Para sorrir, andar, chorar, falar...
Assim, creio que os encontros que temos
Ao longo de nossas vidas integram as tais missões a que viemos.
E, tão “sui generis” que só quando acontecem é que
As percebemos missivas ou remissivas, talvez até quando findam.
Sem olvidar que, uma sempre demandará a outra,
Porque a vida é um ciclo.
São Paulo, 19 de setembro de 2005.
Conto inédito
Acerto de contas
(Robson Canto)
Após jogar a ponta do baseado no córrego, Zacarias caminha lentamente, passa a mão sobre a camiseta e sente o cabo do seu trinta e oito.
Encostado no poste, Zacarias vê a viatura se aproximando em velocidade moderada, põe a mão esquerda no bolso e tateia o maço de notas. A viatura para com os faróis apagados.
- E ai Zaca ta na mão? Pergunta o policial no banco do carona.
- Aqui é sujeito de palavra! Responde Zacarias rispidamente.
- Então dá logo – diz o policial do volante – o cê acha que eu tenho a noite inteira pra ficar de tra-lá-lá com ladrão?
- Ta nervoso? Cê ta precisando transar héin? Diz Zacarias rindo.
- Vai se foder Zacarias! Diz irritado o policial do volante.
- Ta ai a porra da grana! Diz Zacarias.- Segunda-Feira tamo aqui nesse mesmo horário! Diz o policia do banco do carona.
- Sem condições – diz Zacarias sorrindo debochadamente – Hoje é quinta cês acham que agente rouba um banco por dia?
- Foda-se – diz o policia do volante – Você, o Baiano, o Xambau, o Biu. Segunda... ouviu ladrão?
- Já disse que... Zacarias não completa a frase, a viatura sai cantando os pneus.“ Gambé filhos da puta”, pensa Zacarias. Sai em direção ao esconderijo de seus parceiros. Bate na porta e diz.
- Baiano é o Zaca!
A porta é aberta segundos depois, por Biu com um a calibre doze na mão.
- E ai nego véi pela ordi? Diz Biu.
- Ta embaçado Biu! Responde Zacarias.
- O que pega meu rei? Pergunta Baiano, com um prato na mão com cinco carreiras de cocaína.
- Us pulicia disseram que segunda vai pro ponto esperar nóis no mesmo horário. Responde Zacarias.
- Caralho us arrombado tão ficando com o meu lucro! Diz Baiano cheirando.
- Demorô temô que derrubar esses cu de burro! Diz Biu.
- Pode crer Biu – diz Baiano lhe passando o prato – Vamô fuzilar us dois.- Derrubar os coxinha na quebrada é embaçado! Diz Zacarias fazendo um baseado.
- Que nada depois que nóis fizer otro banco nóis some daqui! Diz Baiano.
- É mais e us cara do tráfico! Exclama Biu.
- É tem essa né? Nóis num pode ficar mal com eles porque nóis tem família aqui! Diz Zacarias.
- Entendeu! – Diz Baiano – Vamô derrubar os coxinha de quebrada e já era.
***
- Os outros ficam ganhando essa mixaria, enquanto os ladrões tão montados na grana! Diz García ao seu parceiro de farda.
- É cruel viver com essa merda de pagamento! Responde Lopes.
- Outro dia cheguei em casa minha filha mais velha disse que não ia pra escola porque não tinha calçado vê se pode? Diz García entrando com a viatura numa favela.- Ai vai na manha que eu vou zuar com esse preto! Diz Lopes.
- Diz que se ele num tiver uma verba vamô forjar! Diz García rindo.
- Ai neguim qual é as idéia? Pergunta Lopes.
- Trabalhador senhor!
- Trabalha em que neguim?- Cobrador de lotação!
- Usa droga?
- Não!
- Tem passagem?
- Não senhor!
- Posso puxar então?
- Pode sim!
- Ai vaza daqui falô?
O telefone celular toca.
- Alô! – diz García – Oi meu amor... Estou com o Lopes combatendo o crime, as meninas já foram dormir?
***
Segunda-feira 19:30hs, garoa fina e gelada, o trânsito caótico como sempre. Num boteco próximo Biu e Baiano bebem conhaque.
- Ai nego tu sabe o plano né? Diz Baiano.
- Tô ligado! Responde Biu.
- Zaca ta na escuta? Pergunta Baiano.
- To aqui Baiano! Responde Zacarias.
- Eles vão passar nesse semáforo, as meninas vão estar com o carro parado elas vão pedir ajuda pra eles, quando eles descerem da viatura, eu e o Biu chegamos e raja eles. Tu da cobertura entendeu?
- Registrei meu bom! Diz Zacarias.
Um monza branco, da várias voltas no quarteirão. Claudia e Laura conversam sobre o plano de Baiano. Apesar de acharem mal organizado, o dinheiro que receberam compensava.Uma hora depois, quase desistindo, Claudia olha pelo retrovisor e vê uma viatura atrás de três ou quatro carros, ela propositalmente deixa o carro morrer. Alguns carros que estão atrás buzinam, ela põe a mão pra fora e com o polegar pra baixo acena. Os carros que estão atrás desviam.
A viatura se aproxima lentamente, Claudia com seu charme diz.
- O senhor podia nos ajudar?
- Será um enorme prazer! Responde Lopes sorrindo maliciosamente.
- Agradecida! Diz Claudia.
Lopes desce da viatura faz sinal pras pessoas dos outros carros esperarem e empurra o monza para o acostamento. García pára a viatura um pouco mais à frente.
Os policias conversam com Claudia. Laura fingi estar ligando para o mecânico.
Lopes elogia a beleza de Claudia, que entra no jogo. Ao ver a moto de Baiano se aproximando, Claudia diz que vai pegar caneta e papel no carro pra trocarem telefone.
- Por favor, senhor! Diz Biu.
Ao virar García recebe um tiro na testa, cai no chão sem vida. Lopes tenta em vão reagir recebe três tiros; um no pescoço, e dois na cabeça. Claudia e Laura já estão na pista oposta da avenida.
Baiano acelera a moto e sai em disparada. Biu guarda o revolver na cintura. Antes de chegarem na faixa de pedestre, Baiano e Biu escutam uma rajada, Biu saca o revolver e engatilha, fica olhando sem entender quem dera os tiros, a segunda bateria de tiros ecoa, antes de cair no chão Biu vê dois homens atirando, olha pro seu ombro e vê muito sangue ensopando sua roupa.
Baiano ao ver Biu no chão, saca a pistola e atira, e se protege atrás da mureta que separa as pistas.
Zacarias na pista contrária, encosta a saveiro perto dos dois atiradores, engatilha a calibre doze e atira, mais erra, o revide é instantâneo três balas lhe acertam, Zacarias fica agonizando no saveiro.
Baiano conseguiu fugir. Biu morreu com um tiro a queima-roupa dos policias que chegaram de reforço.
O resgate chegou e levou Zacarias pro hospital.Os telejornais davam as notícias distorcendo os fatos: “Ladrões trocam tiros com policiais após assaltarem banco”. “Operação conjunta das policiais civis e militares desarticulam assaltantes de banco”. “Baiano chefe do tráfico escapa de cerco policial”.
Na UTI os médicos tentam salvar a vida de Zacarias. A família de Zacarias estava apreensiva na sala de espera. Uma hora depois um homem estranho entra na sala de cirurgia.- Tudo bem doutor? Diz Capuano policial civil.
- Tudo! Responde o médico.
- Deixa essa praga morrer doutor – diz Capuano – Num vale nada matou dois policias, podia ser um filho meu ou seu doutor.
Minutos depois a família de Zacarias recebe a notícia do seu falecimento.
Robson Canto!
(Robson Canto)
Após jogar a ponta do baseado no córrego, Zacarias caminha lentamente, passa a mão sobre a camiseta e sente o cabo do seu trinta e oito.
Encostado no poste, Zacarias vê a viatura se aproximando em velocidade moderada, põe a mão esquerda no bolso e tateia o maço de notas. A viatura para com os faróis apagados.
- E ai Zaca ta na mão? Pergunta o policial no banco do carona.
- Aqui é sujeito de palavra! Responde Zacarias rispidamente.
- Então dá logo – diz o policial do volante – o cê acha que eu tenho a noite inteira pra ficar de tra-lá-lá com ladrão?
- Ta nervoso? Cê ta precisando transar héin? Diz Zacarias rindo.
- Vai se foder Zacarias! Diz irritado o policial do volante.
- Ta ai a porra da grana! Diz Zacarias.- Segunda-Feira tamo aqui nesse mesmo horário! Diz o policia do banco do carona.
- Sem condições – diz Zacarias sorrindo debochadamente – Hoje é quinta cês acham que agente rouba um banco por dia?
- Foda-se – diz o policia do volante – Você, o Baiano, o Xambau, o Biu. Segunda... ouviu ladrão?
- Já disse que... Zacarias não completa a frase, a viatura sai cantando os pneus.“ Gambé filhos da puta”, pensa Zacarias. Sai em direção ao esconderijo de seus parceiros. Bate na porta e diz.
- Baiano é o Zaca!
A porta é aberta segundos depois, por Biu com um a calibre doze na mão.
- E ai nego véi pela ordi? Diz Biu.
- Ta embaçado Biu! Responde Zacarias.
- O que pega meu rei? Pergunta Baiano, com um prato na mão com cinco carreiras de cocaína.
- Us pulicia disseram que segunda vai pro ponto esperar nóis no mesmo horário. Responde Zacarias.
- Caralho us arrombado tão ficando com o meu lucro! Diz Baiano cheirando.
- Demorô temô que derrubar esses cu de burro! Diz Biu.
- Pode crer Biu – diz Baiano lhe passando o prato – Vamô fuzilar us dois.- Derrubar os coxinha na quebrada é embaçado! Diz Zacarias fazendo um baseado.
- Que nada depois que nóis fizer otro banco nóis some daqui! Diz Baiano.
- É mais e us cara do tráfico! Exclama Biu.
- É tem essa né? Nóis num pode ficar mal com eles porque nóis tem família aqui! Diz Zacarias.
- Entendeu! – Diz Baiano – Vamô derrubar os coxinha de quebrada e já era.
***
- Os outros ficam ganhando essa mixaria, enquanto os ladrões tão montados na grana! Diz García ao seu parceiro de farda.
- É cruel viver com essa merda de pagamento! Responde Lopes.
- Outro dia cheguei em casa minha filha mais velha disse que não ia pra escola porque não tinha calçado vê se pode? Diz García entrando com a viatura numa favela.- Ai vai na manha que eu vou zuar com esse preto! Diz Lopes.
- Diz que se ele num tiver uma verba vamô forjar! Diz García rindo.
- Ai neguim qual é as idéia? Pergunta Lopes.
- Trabalhador senhor!
- Trabalha em que neguim?- Cobrador de lotação!
- Usa droga?
- Não!
- Tem passagem?
- Não senhor!
- Posso puxar então?
- Pode sim!
- Ai vaza daqui falô?
O telefone celular toca.
- Alô! – diz García – Oi meu amor... Estou com o Lopes combatendo o crime, as meninas já foram dormir?
***
Segunda-feira 19:30hs, garoa fina e gelada, o trânsito caótico como sempre. Num boteco próximo Biu e Baiano bebem conhaque.
- Ai nego tu sabe o plano né? Diz Baiano.
- Tô ligado! Responde Biu.
- Zaca ta na escuta? Pergunta Baiano.
- To aqui Baiano! Responde Zacarias.
- Eles vão passar nesse semáforo, as meninas vão estar com o carro parado elas vão pedir ajuda pra eles, quando eles descerem da viatura, eu e o Biu chegamos e raja eles. Tu da cobertura entendeu?
- Registrei meu bom! Diz Zacarias.
Um monza branco, da várias voltas no quarteirão. Claudia e Laura conversam sobre o plano de Baiano. Apesar de acharem mal organizado, o dinheiro que receberam compensava.Uma hora depois, quase desistindo, Claudia olha pelo retrovisor e vê uma viatura atrás de três ou quatro carros, ela propositalmente deixa o carro morrer. Alguns carros que estão atrás buzinam, ela põe a mão pra fora e com o polegar pra baixo acena. Os carros que estão atrás desviam.
A viatura se aproxima lentamente, Claudia com seu charme diz.
- O senhor podia nos ajudar?
- Será um enorme prazer! Responde Lopes sorrindo maliciosamente.
- Agradecida! Diz Claudia.
Lopes desce da viatura faz sinal pras pessoas dos outros carros esperarem e empurra o monza para o acostamento. García pára a viatura um pouco mais à frente.
Os policias conversam com Claudia. Laura fingi estar ligando para o mecânico.
Lopes elogia a beleza de Claudia, que entra no jogo. Ao ver a moto de Baiano se aproximando, Claudia diz que vai pegar caneta e papel no carro pra trocarem telefone.
- Por favor, senhor! Diz Biu.
Ao virar García recebe um tiro na testa, cai no chão sem vida. Lopes tenta em vão reagir recebe três tiros; um no pescoço, e dois na cabeça. Claudia e Laura já estão na pista oposta da avenida.
Baiano acelera a moto e sai em disparada. Biu guarda o revolver na cintura. Antes de chegarem na faixa de pedestre, Baiano e Biu escutam uma rajada, Biu saca o revolver e engatilha, fica olhando sem entender quem dera os tiros, a segunda bateria de tiros ecoa, antes de cair no chão Biu vê dois homens atirando, olha pro seu ombro e vê muito sangue ensopando sua roupa.
Baiano ao ver Biu no chão, saca a pistola e atira, e se protege atrás da mureta que separa as pistas.
Zacarias na pista contrária, encosta a saveiro perto dos dois atiradores, engatilha a calibre doze e atira, mais erra, o revide é instantâneo três balas lhe acertam, Zacarias fica agonizando no saveiro.
Baiano conseguiu fugir. Biu morreu com um tiro a queima-roupa dos policias que chegaram de reforço.
O resgate chegou e levou Zacarias pro hospital.Os telejornais davam as notícias distorcendo os fatos: “Ladrões trocam tiros com policiais após assaltarem banco”. “Operação conjunta das policiais civis e militares desarticulam assaltantes de banco”. “Baiano chefe do tráfico escapa de cerco policial”.
Na UTI os médicos tentam salvar a vida de Zacarias. A família de Zacarias estava apreensiva na sala de espera. Uma hora depois um homem estranho entra na sala de cirurgia.- Tudo bem doutor? Diz Capuano policial civil.
- Tudo! Responde o médico.
- Deixa essa praga morrer doutor – diz Capuano – Num vale nada matou dois policias, podia ser um filho meu ou seu doutor.
Minutos depois a família de Zacarias recebe a notícia do seu falecimento.
Robson Canto!
01 novembro, 2005
Mais Poesias...
O corpo assumia postura de corpo
e rolava
do alto
do morro
com a noite debaixo do braço.
Depois recebia silêncio
- cimento, areia, cimento -
e solidão por baixo
Recado
Aqui nasceu Mariguela. Não. Nasci eu.
Meu pai era analfabeto, mas contava histórias.
Na favela onde vivi, o barraco
é de quem mora, a horta
é de quem planta, a saudade
de quem fica, dignidade
de quem tem armas – ou insiste. Ou canta.
Frutois e galinhas foram sempre de quem conseguiu comer.
No momento, estou criando armas...
Canto de quem se recusa
Ao Núcleo Cultural Poder e Revolução
E nós sabemos
que a noite é longa
e o dia cheio
de dúvidas e de papéis no chão.
Tem horas que a gente não se brinda
porque a luz dos olhos, pouca
faz pouco pra iluminar
e os copos recusam encontros....
Tem tempos que se contam os minutos
mas sabemos que em segundos
Alegria
vai brotar do chão.
Pois que caem os escudos
e
o corpo sempre múltiplo
enfrenta a cara do Rei
e
descobre em suas rugas,
caminho pro quilomboúltimo
e
atira contra o teto,
destrói o templo do inferno
e
pratica a Revolução!
(Porque amor é uma chave de luta
E apesar dessas noites de chuva,
O amor vai rimar com amor.)
Sátira de Amor na cidade grande
“Valeu a pena?
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena” Fernando Pessoa
Era tarde na cidade grande
Quando o dia resolveu expulsar a aurora.
E eu, sentindo por você dez mil milhas
De um amor profundo e prático,
Por baixo da fria garoa paulista,
Me entregava ao amor da cidade.
O sol não havia nascido - Não
Haveria sol algum aquele dia –
Por baixo da fina garoa
(mulheres nuas se estendiam)
outdoors aos operários
inda semi adormecidos.
E nesta vida sem cautela
Todo amor valeria a pena,
Se a cidade fosse pequena
E a minha alma maior que ela.
Dinha
Contatos: dinhapro@hotmail.com
e rolava
do alto
do morro
com a noite debaixo do braço.
Depois recebia silêncio
- cimento, areia, cimento -
e solidão por baixo
Recado
Aqui nasceu Mariguela. Não. Nasci eu.
Meu pai era analfabeto, mas contava histórias.
Na favela onde vivi, o barraco
é de quem mora, a horta
é de quem planta, a saudade
de quem fica, dignidade
de quem tem armas – ou insiste. Ou canta.
Frutois e galinhas foram sempre de quem conseguiu comer.
No momento, estou criando armas...
Canto de quem se recusa
Ao Núcleo Cultural Poder e Revolução
E nós sabemos
que a noite é longa
e o dia cheio
de dúvidas e de papéis no chão.
Tem horas que a gente não se brinda
porque a luz dos olhos, pouca
faz pouco pra iluminar
e os copos recusam encontros....
Tem tempos que se contam os minutos
mas sabemos que em segundos
Alegria
vai brotar do chão.
Pois que caem os escudos
e
o corpo sempre múltiplo
enfrenta a cara do Rei
e
descobre em suas rugas,
caminho pro quilomboúltimo
e
atira contra o teto,
destrói o templo do inferno
e
pratica a Revolução!
(Porque amor é uma chave de luta
E apesar dessas noites de chuva,
O amor vai rimar com amor.)
Sátira de Amor na cidade grande
“Valeu a pena?
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena” Fernando Pessoa
Era tarde na cidade grande
Quando o dia resolveu expulsar a aurora.
E eu, sentindo por você dez mil milhas
De um amor profundo e prático,
Por baixo da fria garoa paulista,
Me entregava ao amor da cidade.
O sol não havia nascido - Não
Haveria sol algum aquele dia –
Por baixo da fina garoa
(mulheres nuas se estendiam)
outdoors aos operários
inda semi adormecidos.
E nesta vida sem cautela
Todo amor valeria a pena,
Se a cidade fosse pequena
E a minha alma maior que ela.
Dinha
Contatos: dinhapro@hotmail.com
31 outubro, 2005
Utilidade literária
ATENÇÃO, ATENÇÃO... UTILIDADE LITERÁRIA URGENTE.
ACABA DE ENTRAR NO AR O MAIS NOVO BLOG CULTURAL. TRATA-SE DE UM DOS MAIORES MOVIMENTOS ATUAIS DA PERIFERIA.
URGENTE, URGENTE...
WWW.COLECIONADORDEPEDRAS.BLOGSPOT.COM
ACABA DE ENTRAR NO AR O MAIS NOVO BLOG CULTURAL. TRATA-SE DE UM DOS MAIORES MOVIMENTOS ATUAIS DA PERIFERIA.
URGENTE, URGENTE...
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Saudações a todos e todas. Este é o Fanzine Literatura Nossa nº 21. Mais um meio de divulgação dos trabalhos literários da Associação Cultu...
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Meus queridos vejam algumas estrofes do cordel abaixo, se quiserem adquirir o mesmo e ler inteiro, basta entrar em contato pelos os telefone...