17 janeiro, 2007

SONETO ESPALHADO
Glauco Mattoso

Procura-se um pé chato, largo e grande,
que tenha bem mais curto o "polegar"
que o dedo "indicador"! Nesse invulgar
formato, algo esculpido alguém me mande!

Você, que as dicas pela rede expande,
me ajude este pedido a divulgar!
De macho ou fêmea, tanto faz, se andar
descalço ou com pesadas botas ande!

Já fiz, quando enxergava, coleção
de moldes no papel, porém agora
que estou no escuro, vejo com a mão!

Talvez algum ex-voto numa tora
lavrado tenha as formas que darão
noção táctil do pé que um cego adora!

Respostas (só texto, sem anexo) para: glaucomattoso@uol.com.br
MANIFESTO DO POETA MARCELLO RICARDO ALMEIDA

Há quem impeça, em pleno século XXI, uma biblioteca em cada município alagoano? O sertão alagoano, de onde eu venho, continua sedento por livros, sedento também o litoral, aonde eu fui. Não se fala em cada bairro – o que seria razoável -, fala-se em cada um dos municípios. Entregue as chaves dessa casa do saber às mãos de um grêmio literário, de uma agremiação estudantil, de um padre, de um grupo de teatro, um pastor, uma boa alma. Estimular intelectuais alagoanos a manterem ininterruptos contatos com essas sementes de livros (bibliotecas espalhadas em Alagoas. Vamos desenterrar os talentos. Fazerem os líderes políticos e religiosos acreditarem que o Paraíso é um lugar cheio de bibliotecas), oxigenando-as com ilustres visitas de alagoanos dramaturgos, poetas, contistas, ensaístas, roteiristas, cronistas, juristas, romancistas. E Alagoas passe a ter a lembrança desses intelectuais que honrariam quaisquer lugares do mundo; e que eles sejam modelos em lugar da violência e do analfabetismo.
Uma biblioteca em cada município. Nas linhas do poeta de Palmares: “As minhas Alagoas são outras”. As minhas Alagoas também são outras. Os escritores alagoanos são muitos, muitos intelectuais que honrariam quaisquer lugares do mundo; esta luz continua embaixo da mesa. Tenho insistido em minhas palestras, criação de escolas de escritores, encontros, simpósios, festivais de poesia, concursos literários e premiações para que esta luz seja levada para cima da mesa. A imagem de Alagoas não pode continuar sendo as faces da violência (a tragédia) e do analfabetismo (a comédia). Todos nós temos uma grande dívida com Alagoas. Para solvê-las, muitas caixas de livros ainda terão que ir de mãos em mãos. Uma academia de letras é uma instituição de grande responsabilidade social; a imortalidade de seus acadêmicos não representa um tácito contrato com Deus para imortalizar os intelectuais em suas cadeiras perpétuas. O pai de Capitu, Machado, co-fundador da primeira de nossas academias de letras, quis moralizar o escritor; as academias de letras depois de Machado de Assis se justificam se concorrer para moralizar a sociedade.
A imagem de Alagoas não pode continuar sendo as faces da violência (a tragédia) e do analfabetismo (a comédia). O que atrai? Cabeças de bandoleiros nas portas de igrejas em latas de querosene? O que atrai? A vampirização dos noticiários? O que atrai? Ninguém em Alagoas publica mais um livro? Ninguém mais estréia um filme, uma peça de teatro? O que atrai? Ninguém mais inaugura uma exposição? O que atrai? Por que nunca mais se festejou a construção de uma outra universidade federal? O que atrai? Não se inaugura mais um museu? Aonde anda a multiplicação do número de boas escolas públicas? Continuará utópica a democratização do saber? A imagem de Alagoas não pode continuar sendo as velhas faces da violência (a tragédia) e do analfabetismo (a comédia). Estamos no século XXI. O século da erradicação da miséria humana. Os nômades no deserto africano não acreditavam no fim da escravidão, mas a escravidão chegou ao fim até mesmo àquelas caravanas de camelos e homens antigos que ainda hoje caminham no Tenerê como fizeram seus antepassados há centenas de anos.
O livro publicado em Recife, Maceió, Aracaju consegue atravessar a ponte? Quem conhece quem, se atravessar à ponte? Não se sabe. O livro publicado em Santana do Ipanema ou em Pão de Açúcar, dificilmente será conhecido em Maceió. Se o livro nasce em Delmiro Gouveia ou em Feliz Deserto, como consegue atravessar a ponte se continua “inédito”? Como chegar o livro às mãos do povo sem bibliotecas? Quem conhece quem, se atravessar à ponte? Não se sabe. Ao menos consegue atravessar a rua? Não, ainda assim; o vizinho da frente desconhece a escritura do vizinho de porta. E a literatura de quem escreve consegue atravessar a calçada? Há quem não tenha certeza. Às vezes, a boca está cheia de um Ginsberg ou de outros intelectuais estrangeiros, ídolos de pano que nunca ouviram falar em Maceió ou em Santana do Ipanema, v.g., nem na Serra do Almeida, ou da Maravilha e do Poço onde muito se falou na existência de um cemitério de elefantes. Mas os adoradores de Caramuru salivam ao pronunciar Shakespeare, pronunciar Joyce, pronunciar Kafka, pronunciar Brecht, pronunciar Elliot, cumming, Rimbaud, Whitman; e dizem muitas partes de seus livros numa decoreba típica de quem sofre do Complexo de Caramuru. Eles elogiam Fausto, de Goethe, mas se enojam dos poetas de cordel. Será que escritores de lá têm os nomes dos escritores de cá na ponta da língua? Quantos, aqui mesmo, conhecem quantos dentro das páginas de Alagoas? Alagoas estuda a Literatura Alagoana desde o ensino fundamental ao universitário?
Quem imortaliza os acadêmicos de uma academia de letras? Seus livros indo de mãos em mãos. O sertão alagoano continua sedento por livros, sedento o litoral. Todas essas academias de letras têm o compromisso em levar os livros de mãos em mãos. O que impede, em pleno século XXI, uma biblioteca em cada município alagoano? Qual o lugar que não faria bom proveito do legado de Graciliano Ramos? Quebrangulo. Qual o lugar que não faria bom proveito do legado de Brenno Accioly? Santana do Ipanema. Os exemplos se vão a progressões geométricas. Existem verbas municipais, estaduais e federais para a criação de museus, escolas e afins; investimentos da iniciativa privada existem. Mediante projeto, cada município, com ou sem inesquecíveis intelectuais que honrariam quaisquer lugares do mundo, vai sonhar; e, aos poucos, as duas faces (tragédia e comédia) violência/analfabetismo não mais irão amedrontar as ruas de Maceió. E cada município fará o seu caminho caminhando.
É correto afirmar que muitos livros são espécies de clarões para quem ler ou escuta falar a respeito deles. Quem planta um livro, quem acende esta luz, o primeiro a ser beneficiado é o agricultor, o primeiro a ser iluminado é quem acende a luz. Algumas crianças descobrem a existência dos livros em A Cachoeira de Paulo Afonso, outras em Grande Sertão: Veredas, ou ainda em Vidas Secas, ou quem sabe em João Urso, ou em Infância. Infância de cada um é cheia de surpresas e cabe, desde ontem, fazer com que essas surpresas (habitantes das bibliotecas) sejam as melhores possíveis.
Marcello Ricardo Almeida

15 janeiro, 2007

Reunião L.B

Nesta terça, às 17h30, haverá a primeira reunião de 2007 da Associação Cultural Literatura no Brasil. Todos estão convidados. Será no Centro Cultural de Suzano, e a pauta principal será o encontro de planejamento do dia 21 de janeiro.
Encontro de planejamento 2007
Vai acontecer no dia 21/01 das 09h às 17h, no Casarão das Artes, em Suzano. Durante todo o dia haverá discussões e encaminhamentos dos projetos e atividades de 2007.
Programação
09h Café
10h Planejamento
15h Churrasco

Fim de férias!

SARAU DA COOPERIFA ESTÁ DE VOLTA
Quarta feita tem o primeiro sarau do ano. Para começar com força total vamos presentar a todos com uma apresentação Lítero-musical com G O G - direto de Brasília, para incendiar de vez este ano que inicia. A seguir, os poetas da casa irão tomar os microfones, para que oficialmente - sob a benção da comunidade -, inicie o sarau da Cooperifa no Bar do Zé Batidão.
E como eu disse no texto anterior: "EM 2007 VAI SER PIOR... PIOR PARA QUEM ESTIVER NO NOSSO CAMINHO".
Coração em chamas e cheio de saudade,
Sérgio Vaz
SARAU DA COOPERIFA
20hs30 - Intervenção lítero-musical com G O G (direto de Brasília)
21hs - Sarau da Cooperifa
Local: Bar do Zé Batidão - Piraporinha - S.P

12 janeiro, 2007

Próximo evento!

O AUTOR NA PRAÇA recebe os jornalistas José Hamilton Ribeiro & Ricardo Kotscho

Os próximos convidados do projeto O Autor na Praça são os jornalistas José Hamilton Ribeiro e Ricardo Kotscho. Hamilton Ribeiro, único repórter brasileiro a receber sete prêmios ESSO, além de cobrir a Guerra do Vietnã, pela revista Realidade. Hamilton Ribeiro autografará seu livro mais recente O Repórter do século e também Tropeiros - Diário de uma Marcha e Música Caipira. Ricardo Kotscho, que faz a apresentação do livro de O Repórter do Século, autografará seu livro mais recente Do Golpe ao Planalto - Uma Vida de Repórter e outros títulos de sua autoria. Após a tarde de autógrafos no Espaço Plínio Marcos, acontecerá no Espaço Alberico Rodrigues, às 19h, uma apresentação musical do cantador de Alto Belo Téo Azevedo, mostrando algumas modas de viola e exibição de uma entrevista exclusiva em vídeo com José Hamilton Ribeiro - sobre a revista Realidade, concedida à jornalista Cris Campos em 2001. O cartunista Júnior Lopes participa do evento realizando caricaturas.

Serviço:

O Autor na Praça com os jornalistas José Hamilton Ribeiro e Ricardo Kotscho
Dia 03 de fevereiro de 2007, sábado, das 14h às 18h
Espaço Plínio Marcos - Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto - Pinheiros - SP

Informações:
Edson Lima
Tel. 3085 1502 / 9586 5577 - oanp@uol.com.br
Apresentação Musical e exibição do vídeo da entrevista com José Hamilton Ribeiro, às 19h no Teatro do Espaço Cultural Alberico Rodrigues - Praça Benedito Calixto, 159
Tels.: 3064 3920 e 3064 9737 -
www.espacoalberico.com.br

Os eventos têm Entrada Franca
Realização: Edson Lima e Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto
Parceria: Jornal da Praça -
http://plazajornal.blogspot.com
Apoio: Sindicato dos jornalistas de São Paulo -
www.sjsp.org.br

Sacolinha!

85 Letras e um Disparo (contos)
Graduado em Marginalidade (romance)


Crônica da Semana

Arma
Marco Pezão


Peguei a palavra ARMA e a cortei em vogais. Depois, juntando as letras, em nova ordem busquei outros significados...
Arma, nos dias de violência idos e vividos, em qualquer ocasião, é terrível substantivo. Concreto quanto ao estrago que causa. Não importa se de leve porte.
Quem passou por situação de ter uma arma de fogo apontada para si, em circunstância de assalto ou diferente agressão, sabe o temor da bala.
E quem vive em região de conflito, o que sofre por ser alvo aleatório de arma pesada na linha do combate?
Desnecessário é nomear os membros desta ampla família. Mas que seja: pedra, canivete, faca - arma branca – pau, porrete, chicote, canhão, bactérias, e tantas se fazem válidas dependendo o uso e caso. Uma caneta. A mão que escreve. A palavra que denuncia, do mesmo modo, oprime.
E, assim pensando, tudo pode ser arma. Do sentimento atroz à bomba nuclear, o que destrói é arma.
Arma. Das letras que ela contém forma-se de seu início: AR. Esse que respiramos. Ele que significa o princípio básico da existência humana. E, nessa averiguação, é o contraponto do efeito mortal acima sugerido.
O ar fica mais leve com tua presença, dizem os enamorados. Você deu o ar da graça, comenta o lisonjeiro. Você está com ar de quem não quer nada, replica o decepcionado.
Ar, ar, ar, eu quero ar! Liberdade, dirá o prisioneiro...
E a idéia segue em nova praia. Dividida e acrescida. MAR! O mar é minha alforria, observa o marujo no cais.
As ondas são servis, amada! Aos teus pés o mar termina...
Aguarde-me, eu sou a maré que avança e inunda. Sou a RAMA verdejante que o teu corpo há de fazer florir...
Decomposta a palavra absorvo o dissabor. E não importando a forma transformo o conteúdo. Ar, mar e rama são derivações de igual tronco.
Mais uma cabe. A mais importante, talvez. O verbo radiante: AMAR! AMAR! AMAR!
Eis o projétil. Eis o vínculo com a vida!
Amar é a arma de meu constante disparo!

Sobre vingança