30 março, 2005

Notas...

Literatura no Brasil, o Blog oficial do Alto tietê, valorizando a cultura de periferia.
Contatos com o projeto: 47495744 / 83252368
Vem aí, a entrevista com o escritor e roteirista, Fernando Bonassi.
O Romance Graduado em Marginalidade será lançado neste ano de 2005. Em breve, logo, logo. Aguardem.
Portas abertas

O projeto cultural Literatura no Brasil, está aceitando textos para serem divulgados na “Sexta Fase” do projeto, que será lançada no começo de agosto de 2005.Todo texto que o projeto recebe, é analisado por uma comissão literária e se aprovado for, será trabalhado durante quatro meses (Uma fase).Debates, palestras, rádios comunitárias, eventos, feiras literárias, saraus, encontros sociais, e Internet, são os ambientes onde o Literatura no Brasil divulga os textos.Áqueles que trabalham com literatura, ou seguem a carreira de escritor, não percam essa oportunidade, são mais de 1.280 leitores de todo o Brasil, cadastrados com o projeto. Se quiser enviar um texto seu para ser publicado neste site/blog, mande para o e-mail do projeto.
Á direção.

28 março, 2005

Mais textos.

Solitária

O dia eu não sei. Nem as horas também. Só sei que ouço vozes distantes. Próximas, distantes... Os dias passam pra mim cada vez que o meu cansaço, de não fazer nada, me força a dormir. Nesses dias em que fico aqui, sentado, deitado, só penso. Apenas penso. Pensar cansa sabia? Cansa. Me sinto muito cansado. O corpo, a mente, o espírito. Espírito? Será que ainda tenho? Será que um dia tive? Já fiz muita merda nessa vida. É. Já fiz.
- O que é isso? - De repente passos vinham em minha direção, mas quem? Pra falar a verdade acho que me esqueceram aqui. Devo gritar? É isso, vou gritar.
- EEIIII!!!!, AQUI!! EU TÔ AQUI!!, VIVO!!, LÚCIDO!! Com medo... Com muito medo - Passos vem em minha direção, apressados.
- Graças a Deus, graças a Deus vão me tirar daqui.
- Que é que tu quer miserável? Quer levar pau no lombo? Esqueceu como é? Abre essa porra que vou deixar ele bem quietinho.
Meus ouvidos doeram com o barulho do ferrolho abrindo a cela. Entrou um vento tão frio que tremi. Já as porradas não. Eu já tava acostumado. Não me doía mais. Minha vida na verdade sempre foi apanhar. Apanhei como um condenado a cada passo dela. Agora, eles gostam de bater. Batem forte mesmo. Meu corpo vira um tambor de tanta porrada. Me dá sono, me dá sede. Esse gosto salgado do sangue na minha boca desdentada me dá sede. De súbito, eles param, o cachorro chega a ofegar de tanto cansaço.
- Seu Guarda, me dá água.
- Ah, tu quer água é? Toma seu filho da puta. O miserável tirou a trolha, um cacetão preto ou branco sei lá. Tô quase cego aqui nessa escuridão. Canalha me jorra na cara uma enxurrada de urina podre. Deve ta com alguma doença venérea, vai se foder um dia.
- Matou a sede? Fecha a tranca. Mais duas semanas pra esse bosta no buraco.
É. Pelo menos matou a sensação de estar só. Nem tô sozinho, nem tô pirando. Vou é tirar um cochilo, meus olhos já estão ardendo. A luz cega me incomoda demais. Ai... Eu devia ta na rua, olhando o verde das pracinhas, o mar. Faz muito tempo que não vejo o mar. Nunca mais o vi. Nem minha cidade. Minha mãe, que Deus a tenha, meu velho... Decepcionado como sempre. Dois filhos, um na cadeia e o outro dando a bunda.
- Filho da Puta, Safado! Não tem vergonha, não respeita nem o pai? Viado. Ta nas ruas, fazendo programa.
Saudade das pracinhas... Das criancinhas... Ah como adoro as criancinhas. Tão cheirosas, rosadinhas parecem brinquedinhos. Brinquedinhos que nunca tive. Parecem brinquedos. Que adoro usar. Adoro usar uma criancinha, sua inocência, sua pureza, seu cheiro, hum... Adoro usar uma criancinha.
- Seus merdas! Vocês não me entendem? Vocês não entendem porra nenhuma! Vocês não entendem nada! Me tira daqui seu miserável!! Me tira daqui!
Os passos. Lá vêm eles de novo. Apressados. Graças a Deus, graças a Deus.
- Cala a boca seu merda! Se não eu te apago aí mesmo. Cala a boca!
- Foda-se, eu preciso brincar... Eu preciso de um brinquedinho, olha só como eu fico só de pensar, olha! Eu preciso de um bonequinho.
Ai! O barulho do ferrolho me põe novamente de joelhos e o tambor, que sou eu, tornou-se a rufar. Meu Deus, por que eles não me entendem? Como eu gostaria de um brinquedinho agora, um frágil bonequinho pra saciar minha solidão.
Gilberto Bastos é morador de João Pessoa, Paraíba.
Mais um escritor chegando no projeto.

25 março, 2005

Sites e Blogs


Logo será lançado o trabalho em que participam os escritores e poetas: Sacolinha, Alessandro Buzo, Sérgio Vaz e Marcopezão.

Comentários...

Qualquer dúvida, comentário, crítica, problema e principalmente solução, favor direcionar para o e-mail do projeto. Se você ainda não é cadastrado com o Literatura no Brasil, envie-nos o seu nome, endereço residencial, e-mail e telefone.
Contatos: literaturanobrasil@bol.com.br

24 março, 2005

Fernando Bonassi

O escritor e roteirista Fernando Bonassi, deu uma entrevista exclusiva para o projeto cultural Literatura no Brasil. Ela será publicada aqui no início do mês de abril.

Texto inédito!

A base perdida

Carlos Colombo sempre foi um homem que adorava viver, porém, o que o destino lhe reservou mudou totalmente a sua adoração á vida.
Homem de seus trinta e oito anos, casado com Mariliza desde 1985. O casal tem duas filhas, uma com nove anos de idade e a outra com onze.
Tudo se iniciou quando Mariliza começou a desconfiar do marido, homem extrovertido, brincalhão e sempre pronto para as intimidades do casal.
Ele era diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Carapicuíba, seu trabalho era esse. Militava num partido de esquerda e quase não tinha tempo para a família.
Houve a época em que vez ou outra chegava em casa tarde, jantava e ia direto para a cama. A esposa perguntava:
- Não vai tomar banho não Amor?
Carlos respondia que havia tomado banho no sindicato, sem se dar conta que lá não havia chuveiro e que a mulher sabia disso.
Várias vezes Mariliza passava horas tentando estimular o marido para o sexo, mas Carlos sempre arrumava uma desculpa. Para a esposa isso já era demais, conhecia o seu marido e alguma coisa de errada estava acontecendo.
Diversas noites ela sofreu de insônia, pensando na possibilidade do marido estar traindo-a. Nessas horas brigava com a sua própria consciência: “O Colô não pode estar fazendo isso comigo. Temos uma vida familiar muito boa e financeira também”.
Ela não conseguia se segurar. Todas ás noites costumava pegar no cesto as roupas usadas pelo marido durante o dia, para procurar fios de cabelos e sentir algum perfume estranho. Vez ou outra achava alguma coisa que confirmava a sua suspeita.
Pra não fazer papel de boba e ter certeza do que estava imaginando, usou metade do salário que ganha como professora do ensino fundamental, para pagar um detetive.
O resultado foi o que estava sendo imaginado por ela. Carlos Colombo estava traindo Mariliza com uma vereadora do partido em que militava. Na linguagem feminina estava sendo um cafajeste e na fala dos homens estava sendo o Ricardão, já que a vereadora também era casada.
Mariliza pediu o divórcio e foi para a casa da sua mãe em Minas Gerais, levando junto consigo as duas filhas.
No decorrer dos meses Carlos Colombo foi regredindo. Após os seus porres constantes foi perdendo os amigos e colegas. A vereadora também se afastou.
Sem as devidas articulações, não conseguiu se manter na diretoria do Sindicato. Ficou sem emprego para se manter. A casa estava nas mãos do advogado contratado por Mariliza.
Carlos Colombo começou a se lamentar solitariamente:
- Pô Liza, só agora que você me abandonou é que percebi o tanto que te amo.
O sorriso sumiu, as piadas foram esquecidas ou deixadas de lado, e a vontade de viver está sendo escarrada todos os dias junto com a saliva misturada com pinga que, Carlos bebe para suportar o sofrimento de viver nas ruas da cidade de São Paulo.

Ademiro Alves (Sacolinha), é escritor
do livro “Graduado em Marginalidade”,
romance que será lançado neste ano de 2005.
Vingança
A vingança tem seu lado bom se usada como convém, se uma pessoa disser que te ama vingue-se dela, diga que a ama também.
Sérgio Vaz

22 março, 2005

Compromisso Social

É NESTE SABADO - 26 de MARÇO - A PARTIR DAS 12:00 HS.

V FAVELA TOMA CONTA
Com muito hip hop e conscientização.

SHOWS COM DIVERSOS GRUPOS
Graffit com MAGU da FOTS
Break com Eduardo e Andrezinho.
Presença da escritora BABI AKYLLA autografando seu livro VIVENDO COM A VIDA.
Serão distribuidos 100 exemplares do livro.

Apresentação: ALESSANDRO BUZO

Local: Travessa da Estr.Dom João Nery, altura do Jardim Olga, em frente aos predios do CDHU, no bairro do Itaim Paulista

INF: (11) 8218-7512
alessandrobuzo@terra.com.br
www.suburbanoconvicto.blogger.com.br

APOIO:
LITERATURA NO BRASIL
RAP BRASIL
MOVIMENTO ENRAIZADOS
MOHHB
PORTAL RAP NACIONAL
REAL HIP HOP
BOCADA FORTE
105 FM

Sobre seres humanos!

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