30 abril, 2006

Poesia + Sarau

Maktub

Sei que tudo tem sua hora,
nada pode ser mudado.
Sempre que tentamos apressar a vida,
controlar o destino,
modificar o que foi traçado,
metemos os pés pela mãos e tudo dá errado.
Para nós, em nossa concepção.
Mas não para a espiritualidade.
Nela não existe erro e sim,
alternativas de acerto.

Fernanda Hanna!


O Núcleo Pré – Vestibular comunitário 11 de agosto e o grupo Faça Arte convidam, você, para o Sarau...


“Madrugada do Trabalhador”

A idéia é, “brindarmos” as primeiras horas do dia 1º maio refletindo com muita poesia, musica e outras coisinhas mais, a situação do Trabalhador e do trabalho. A atividade é no Domingo 30/04/06 a partir das 22h e vai atéééééééééée... . Na Praça do Relógio ( largo do Banespa e da Banca de jornal ) em Poá . Ligue, informe alguém! Até quando vamos ficar parados, parados?

Obs: (leve coisas para acampar, algo para o comes, algo líquido para o bebes, refri) repasse este convite por favor. Abraços.

Informou José Cano Herédia Neto

28 abril, 2006

Últimas notícias

Lançamento do CD Cooperifa

Dias 29 e 30 (sábado e domingo), às 19h30
Sala Itaú Cultural (255 lugares)
Entrada gratuita (ingressos distribuídos com meia hora de antecedência)
Itaú CulturalAvenida Paulista, 149 - estação Brigadeiro do metrô
Fones: 11.2168-1776/1777
www.itaucultural.org.br
atendimento@itaucultural.org.br


Ontem, 27 de abril, o escritor Sacolinha esteve no Presídio Semi-Aberto do Butantã, falando sobre a sua trajetória e do seu romance "Graduado em Marginalidade". Essa palestra foi possível através do "Projeto Leitura Livre", organizado por Wagner Gasóli e Durvalino (Biblioteconomia) da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, (FESPSP).
Estiveram presentes na palestra 66 internas e a diretora do presídio, Mônica Shiara.

26 abril, 2006

Literaturanossa

Já saiu o Fanzine "Literaturanossa", da Associação Cultural Literatura no Brasil. Ele vem recheado de textos de escritores inéditos, além de uma entrevista com o escritor Marcelino Freire e indicações de livros. O fanzine têm 16 páginas, cor azul claro, ilustrado, diagramado, e contém contos, poesias e crônicas.
Para adquirir mande um e-mail para: literaturanobrasil@bol.com.br
Valor: R$ 1,00 (um real).

24 abril, 2006

Trajetória Literária

Loyola Brandão vem à Suzano...

Texto (Marcos Cirillo)

Assunto: Trajetória Literária apresenta Ignácio de Loyola Brandão

Suzano, 24 de abril de 2006

A Secretaria de Cultura de Suzano, através da Coordenadoria de Literatura, traz para a cidade um dos maiores escritores do país. Ignácio de Loyola Brandão participa amanhã (25/4), às 20h, do projeto Trajetória Literária, que será realizado no Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”, com entrada gratuita. Entre outros prêmios importantes, Loyola recebeu o Prêmio Jabuti de "Melhor Livro de Contos", em 2000, por "O homem que odiava a segunda-feira".

O projeto tem como objetivo trazer a Suzano grandes nomes da literatura e ainda promover a aproximação do escritor com o seu público. A última edição, realizada em fevereiro, contou com a presença de Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras e autor de 78 livros.

No início do projeto, Loyola Brandão fará uma explanação sobre a sua vida no meio literário, revelando ao público presente algumas curiosidades, entre elas: como e por quê começou a escrever; de onde veio o interesse pela leitura e quais foram suas influências. Após sua explanação, o público poderá participar fazendo perguntas e observações.

O Autor

Ignácio de Loyola Lopes Brandão nasceu em Araraquara - SP, no dia 31 de julho de 1936, dia de Santo Ignácio de Loyola. Inicia seus estudos na escola primária de D. Cristina Machado, em 1944, onde cursa o primeiro ano. No ano seguinte transfere-se para a escola da professora D. Lourdes de Carvalho. Seu pai, que chegou a publicar histórias em jornais locais e que conseguiu formar uma biblioteca com mais de 500 volumes, o incentivou a ler desde que foi alfabetizado. Fascinado por dicionários, chegou a trocar com seus colegas de classe palavras por bolinhas de gude e figurinhas. Mais tarde, esse fato acabou se transformando no conto "O menino que vendia palavras", primeiro a ser publicado pelo autor.


Obras do autor:

Contos:

Depois do sol, Brasiliense, 1965
Pega ele, Silêncio, Símbolo, 1976
Cadeiras proibidas, Símbolo, 1976
Cabeças de segunda-feira, Codecri, 1983
O homem do furo na mão, Ática, 1987
O homem que odiava segunda-feira, Global, 1999

Romances:

Bebel que a cidade comeu, Brasiliense, 1968
Zero, Brasília/Rio, 1975
Dentes ao sol, Brasília/Rio, 1976
Não verás país nenhum, Codecri, 1981
O beijo não vem da boca, Global, 1985
O ganhador, Glogal, 1987
O anjo do adeus, Global, 1995

Infanto-juvenis:

Cães danados, Belo Horizonte Comunicações, 1977. Reescrito e publicado com o título "O menino que não teve medo do medo", Global, 1995.

O homem que espalhou o deserto, Ground, 1989

Crônicas:

A rua de nomes no ar, Círculo do Livro, 1988
Strip-tease de Gilda, Fundação Memorial da América Latina, 1995
Sonhando com o demônio, Mercado Aberto, 1998

23 abril, 2006

Homenagem

Visões

Do alto do morro, aquele menino tinha visões, ele via uma cidade vazia e sem cor. Pintou um coração com cores vibrantes, e desceu o morro com a cara e a coragem, acordando em um projeto, ouvia aplausos, vozes, e sentimentos.Verdades foram expostas, e aquele menino além de visões, tinha atitudes. Aquele coração pintado com cores vibrantes, se tornou símbolo de uma luta, de todos aqueles, que tem visões de um mundo melhor. E eu poeta, escondido, tímido, e solitário, tive uma lição de vida, hoje carrego no peito, esse coração, o coração LB.

Everaldo Ferreira

22 abril, 2006

Urgente...

Notícias Populares

Educação
Violência na Escola deixa diversos feridos
São Paulo | 19/04/2006 |

Rodrigo Ciríaco

Alunos choram, se revoltam e
protestam contra um crime:
não aprenderam a ler
na Escola.
O protesto ocorreu na Zona Leste,
na escola Estadual dr. Geraldo,
na quinta série, durante a prova
de História.
Alguns alunos circularam pela sala,
amassaram,
entregaram e
Pediram de volta suas provas.
Duras provas.
O professor tentou incentivá-los
valorizando-os como sujeitos
em processo de formação e desenvolvimento:
conversou, sentou ao lado,
tentou ajudá-los.
Foi xingado, ofendido e descobriu que
falar de auto-estima
serve para quem a tem.
Nestes meninos
quase mais não existia.
Palavras vazias.
Pelo menos seis alunos e
o professor saíram
gravemente feridos.
O caso foi lavrado e registrado
nos autos de seus corações
e neste poema.
Ninguém será punido!

Vaz...

ENQUANTO ELES CAPITALIZAM A REALIDADE
EU SOCIALIZO MEUS SONHOS

SÉRGIO VAZ


P/ MARIGHELA

EU PLANTO O TRIGO
PARA COLHER O PÃO.
SOU PÁSSARO
QUE RECUSA MIGALHAS.

SÉRGIO VAZ
poemas do livro" a poesia dos deuses inferiores".

20 abril, 2006

Vem aí...

Cooperifa revela sua poesia em CD lançado

pelo Itaú Cultural

O CD Cooperifa reúne a obra de 26 poetas moradores de bairros distantes do centro de São Paulo; peças relatam as inquietações, aspirações, reflexões e o cotidiano triste e violento desses autores quase anônimos

O Itaú Cultural lança dias 29 e 30, às 19h30 na Sala Itaú Cultural, o CD “Sarau da Cooperifa”. Com a participação de 26 poetas desconhecidos do grande público, a obra dá voz à produção da periferia da zona sul de São Paulo. Trata-se de um recorte entre as centenas de participantes do Sarau da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa), criado por poetas como Sérgio Vaz e Marco Pezão e realizado todas as quartas-feiras no Bar do Zé Batidão no bairro de Piraporinha, zona Sul de São Paulo.

“Nóis é ponte e atravessa qualquer rio”, a frase de Pezão cunhada na contracapa do CD joga luz sobre o trabalho contido nesta obra e sobre a proposta da Cooperifa. A cooperativa foi fundada em 2000 com o objetivo de criar um espaço de expressão na periferia reunindo artistas e pessoas comuns para desenvolver atividades culturais e também para estimular a leitura e a escrita.

O resultado é uma farta produção poética urbana na qual os moradores dos bairros mais afastados do centro falam de suas inquietações, aspirações, reflexões. São anônimos que atuam em diversas áreas – como professores, metalúrgicos, donas de casa, vigilantes, bancários, desempregados, aposentados – e vêm de todas as regiões do país para viver em São Paulo.

Um deles é Seu Lorival, um aposentado de 68 anos que começou a escrever poesias depois de conhecer a Cooperifa. É dele o poema “O Homem Necessita se Casar”, que pode ser ouvido no CD, no qual conta a história de um idoso solitário que perdeu a vida e a casa por causa de uma mulher. “Antônio”, de Helber Ladislau Araújo, impressiona pela realidade e crueza ao contar a história do assassinato de um pai quando ia ver o filho recém-nascido e da tristeza do avô desse bebê ao perder mais um filho de modo tão violento. Esta poesia foi inspirada em conflitos ocorridos no Rio de Janeiro, hoje realidade de todas as periferias.

“Campo Limpo Taboão”, poema melancólico de autoria de Binho, lamenta a transformação do bairro de terrenos baldios e vacas nas ruas em um local repleto de prédios, delegacias e puteiros, como escreve. O próprio Sergio Vaz, autor das publicações independentes “Subindo a Ladeira Mora a Morte”, “A Margem do Vento”, “Pensamentos Vadios” e “A Poesia dos Deuses Inferiores”, participa do CD com o poema “Um Sonho”, uma ode à paz e à liberdade.

A realização deste que é o primeiro CD do Cooperifa só foi possível graças à parceria do grupo com o Itaú Cultural. Em 2004, a instituição, em conjunto com a Associação Basílio da Gama, também incentivou e ajudou a divulgar a poesia urbana da periferia com a edição do livro “Rastilho da Pólvora”, com a obra de 53 poetas.

SERVIÇO

Lançamento do CD Cooperifa

Dias 29 e 30 (sábado e domingo), às 19h30

Sala Itaú Cultural (255 lugares)

Entrada gratuita (ingressos distribuídos com meia hora de antecedência)

Estacionamento com manobrista: R$ 6,00 a primeira meia hora; R$ 8,00 a hora completa;

R$ 4,00 a segunda hora, e R$ 2,00 por hora adicional

Estacionamento gratuito para bicicletas

Acesso para deficientes físicos

Ar condicionado

Cristina R. Durán
Conteúdo Comunicação
Tel. 55-11-3093-7824
cristina.duran@conteudonet.com
www.conteudocomunicacao.com.br

Lançamento!

Hoje...

Lançamento do fanzine “Literaturanossa

A Associação Cultural “Literatura no Brasil”, em parceria com a Secretaria de Cultura de Suzano, lança nesta quinta-feira (20/4) a primeira edição do fanzine “Literaturanossa”. Trata-se de uma revista literária com textos dos membros da associação, incluindo também indicações de livros e uma entrevista exclusiva com o escritor Marcelino Freire.
O evento ocorrerá no Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”, a partir das 19h30, com entrada gratuita. Neste dia, haverá um sarau que contará com uma apresentação musical de Arismar Santos, a exibição do documentário “Literatura no Brasil”, além de um recital de poesias e distribuição de livros e camisetas.

Veja matéria publicada no jornal: http://64.34.170.243/~diariode/caderno_d.php

19 abril, 2006

Nova crônica

Clicando momentos

Marco Pezão

A cena viva diante do clic da máquina é capturada. O registro da imagem. Há imenso deserto povoando o tempo e espaço que circundam o varzeano campo. Eles não vêem o que eu vejo, sou absoluto ao enxergar através das lentes.

A bola, no seu vai e vem, instiga a torcida. Um apogeu de peles. A mistura gera indisfarçável desconfiança. Quem é quem?

Quando aqui cheguei havia um córrego que se estendia além da lateral deste campo. Do lado esquerdo, o mesmo imponente barranco a subir mais de vinte metros. As moradias que se aglomeram por todos os lados não faziam parte da paisagem. As pessoas eram outras. Eu também era outro.

Estranha melancolia essa que me faz caminhar aleatoriamente por povoadas e estreitas ruas do Jd Leme, em meio à garoa que há muito não sentia salpicar meu rosto.

O domingo da ressurreição passou. É terça feira, e ainda sou recordações. Mas não quero recordar, e, sim, compreender. Compreender o porquê do medo. Olhar a cara feia do medo e dizer: não tenho medo de você. Organizai as turbas, temente voz dentro de mim salta.

A roda está formada. O samba e o rap vivem parceiros de uma mesma aflição. Distingo amigos. Um fala, os demais escutam. A ordem é uma desordem. Alguém se rebela contra o presidenciável nome quatrocentão. A palavra sem ação é como bolha de sabão ao sabor da brisa. Fotografo sentimentos.

Agora me preocupo com a amada, que, talvez, já não seja por mim amada. E tão pouco ela, estando à mesa de passar roupa mantém os olhos distantes da roupa que passa, possa dizer palavras de afeto.

Porque me preocupar com o interior dos arredores ou das pessoas, sendo que para mim só interessa a cópia gráfica do quesito filtrado pelo visor?

Continuo clicando lembranças. Um senhor chato e atormentado pelo álcool, gruda. Irrita! Chama o capital parceiro periférico de: Neguinho!

É morte certa! Vai tombar! Surpresa!

O ofendido não se ofende e com elegância nas palavras afasta o inoportuno. Meus ouvidos registram e não disparo o obturador.

Solicitado, um bolo e uma criança me aguardam. Velinha de aniversário acesa. Ela chora com medo da chama. Não se atreve a soprar. Incentivada, arrisca. Disparo o flash. O número 4 no centro do glacê torna a acender. A menina recompõe o choro. A mãe e o pai a ajudam em sopro único. Ela sorri, e eu capto o instante. Anos irão compor a formosura. Será que a pequena quando grande, ao ver a foto, irá se lembrar de mim?

Minhas duas netas menores colheram no jardim um ramo com pequenas flores de nome Bela Emilia. Colocadas no copo contendo água, elas se mantêm vivas e alegres na soleira do vitrô da pia.

Durante minutos observo as pétalas em azul claro. Deixo-me envolver e sinto florir algo amável. E aí, sim, na quietude desse momento; fotografo minha própria alma.

Cooperifa na área

LANÇAMENTOS DO CD DA COOPERIFA

No Sarau da Cooperifa

dia 26 de abril 20hs30 (quarta-feira)

Bar Zé Batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Jd. Guarujá
perto da igreja de piraporinha
SP-SP

No Instituto Itau Cultural

Dias 29 e 30 de abril 19hs30

Av. Paulista, 149
São Paulo-SP
Descer no metrô Brigadeiro
Entrada franca/
Retirar ingresso com meia hora de antecedência (255 lugares)

Inf. www.colecionadordepedras.blogspot.com

18 abril, 2006

Palestra de formação

Hoje quarta-feira (19/4), haverá uma palestra intitulada “Literatura e Cultura Norte-Americana: Palavra e Imagem em Diálogo”.
Palestrante: Prof. Roberto Bezerra - Doutor em Literatura Norte-Americana - USP
O evento será realizado no Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”, a partir das 20h, com entrada gratuita.
...Vem aí o livro: "85 Letras e um Disparo", segundo livro do escritor Sacolinha, autor do romance "Graduado em Marginalidade"...

17 abril, 2006

Literatura Suzano

Próximos eventos...

Textos de Marcos Cirillo

Release

Assunto: Inscrições abertas para IV Oficina Literária (Curso de Letras)

A Secretaria de Cultura de Suzano está com inscrições abertas para a quarta oficina literária que será iniciada no dia 9 de maio. Serão abertas 30 vagas e os interessados podem se inscrever gratuitamente entre os dias 18 de abril e 8 de maio, das 9h às 16h, no Casarão das Artes (Rua 27 de outubro, 271 – Centro). Vale ressaltar que os participantes com idade entre 16 e 18 anos devem trazer autorização por escrito do pai ou responsável no ato da inscrição. De acordo com a Coordenadoria Literária, o foco da oficina será “A produção do conto – Suas origens e técnicas de construção”, que tem como objetivo auxiliar os contistas, prosadores, romancistas e escritores no geral em suas produções. A oficina abordará os seguintes temas: Onde e quando começou o conto; O conceito; Os Personagens; A ambientação; O cenário, além da importância da coerência e a confecção total de um conto.

As aulas serão realizadas todas as terças e quintas-feiras no Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”, das 19h às 21h.

Release

Assunto: Palestra sobre a Literatura norte-americana

Em comemoração aos 57 anos de Suzano, a Coordenadoria Literária da Secretaria de Cultura promove nesta quarta-feira (19/4) uma palestra intitulada “Literatura e Cultura Norte-Americana: Palavra e Imagem em Diálogo”. O evento será realizado no Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”, a partir das 20h, com entrada gratuita.

Segundo o coordenador Ademiro Alves, o Sacolinha, a Secretaria de Cultura está promovendo parcerias com professores universitários com o intuito de estimular a reflexão sobre educação e cultura. Devido a isso, o professor Roberto Bezerra, mestre em Literatura norte-americana pela USP, estará em Suzano para falar sobre o que influenciou a literatura dos escritores de língua inglesa. O bate-papo terá a duração de aproximadamente duas horas.

Pretende-se ainda pontuar alguns aspectos importantes da história literária dos Estados Unidos por meio da leitura, discussão e análise de poemas, em diálogo com imagens do cinema, vídeo, pintura e fotografia. Paralelamente, a palestra abordará alguns valores centrais da sociedade norte-americana.

Temas e autores que serão utilizados na palestra

  1. A tradição puritana: Edward Taylor e Emily Dickinson
  2. Nacionalismo e expansão territorial: Walt Whitman
  3. Modernidade: Carl Sandburg e William Carlos Williams
  4. Contra a corrente I: Langston Hughes
  5. Contra a corrente II: Allen Ginsberg
  6. Literatura e indústria cultural: reflexões sobre o best-seller

Obs.: Para cada um dos tópicos acima haverá a exibição de informações áudio-visuais que estimulem a reflexão sobre os textos literários e sobre a cultura norte-americana.

Release

Assunto: Lançamento do fanzine “Literaturanossa”

A Associação Cultural “Literatura no Brasil”, em parceria com a Secretaria de Cultura de Suzano, lança nesta quinta-feira (20/4) a primeira edição do fanzine “Literaturanossa”. Trata-se de uma revista literária com textos dos membros da associação, incluindo também indicações de livros e uma entrevista exclusiva com o escritor Marcelino Freire.

O evento ocorrerá no Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”, a partir das 19h30, com entrada gratuita. Neste dia, haverá um sarau que contará com uma apresentação musical de Arismar Santos, a exibição do documentário “Literatura no Brasil”, além de um recital de poesias e distribuição de camisetas.

Literaturanossa

Quinta-feira tem o lançamento do primeiro fanzine da Associação Cultural Literatura no Brasil.
Sarau de lançamento
20/04 - Quinta - às 19:30
Local: Centro Cultural de Suzano
Rua Benjamin Constant, 682 - Suzano - Centro
Informações: 4747-4180

16 abril, 2006

CD da Cooperifa

Cooperativa Cultural da Periferia lança CD de poesias!

A Cooperifa, em parceria com o Instituto Itaú Cultural vai lançar um cd de poesia com a participação de 26 poetas do sarau da Cooperifa.
O mês de abril promete ser de intensa agitação cultural para os poetas do sarau da Cooperifa. O sarau é um movimento cultural que transformou um bar, na periferia, em Centro Cultural, e que toda quarta-feira reúne mais de 200 pessoas para comungar a poesia junto com a comunidade.
O CD, sonho antigo, só foi possível por conta da parceria do Itaú Cultural que acreditou no projeto, e por nós que creditamos na força dos nossos poemas. O livro Rastilho da pólvora (2004), com 53 poetas também teve a participação do Instituto e da Associação Básilio da Gama.
Para quem não quer ficar de fora, a Cooperifa e o Itaú Cultural marcaram três datas de lançamento , escolha uma, ou duas, ou quem sabe as três, para adiquirir e conhecer o sarau da Cooperifa.

Lançamentos:

Sarau da Cooperifa
Dia 26 de abril quarta-feira 20hs30
Bar do Zé Batidão
Rua bartolomeu dos Santos, 797 Jd. Guarujá
São paulo/zona sul
F.9333.6508.

Instituto Itau Cultural
Dias 29 e 30 de abril (sábado e domingo) 19hs30
Sala Itau Cultural
Av. Paulista, 149
255 lugares /entrada franca
(ingresso distribuído com meia hora de antecedência)



15 abril, 2006

Debate

Resposta do escritor Ferréz ao texto de Hamilton Borges publicado aqui no dia 10 de abril, segunda-feira.

Quero deixar aqui expresso, meu sincero pesar pela opinião do Senhor Hamilton Borges, ao qual reconheço o tempo de batalha e de militância.
o artigo aqui publicado (e em nenhum momento me enviado) fere principalmente minha familia, meu pai,um homem negro, Bahiano e hoje aposentado ficaria muito triste pela postura do Senhor Hamilton, e como se referiu a minha pessoa, um "branquinho" como ele escreveu, que tem os livros "devidamente etiquetados"como se estar numa grande editora fosse crime.
Ele isenta de forma pura o rapper do rio, dizendo que temos que resgata-lo, meu querido, ele sabe muito bem o caminho que tem traçado, isso pode apostar.
não vou me prolongar em respeito ao MNU e ao próprio Hamilton de quem sempre me falaram muito bem, mas por favor, não use o preconceito que combatemos juntos contra um igual.
salve.

Ferréz

+ Eventos

I Mostra de Cinema ao Ar Livre da Cidade Tiradentes

Toda sexta-feira do mês de abril, no início da noite

Escola Técnica de Saúde Pública Cidade Tiradentes
Av. dos Metalúrgicos, 1945
Entrada franca

Ocorrerá no início da noite das sextas-feiras do mês de abril (07/04 , 14/04 , 21/04 e 28/04), na Escola Técnica Clube da Comunidade Tiradentes, a I Mostra de Cinema ao Ar Livre da Cidade Tiradentes, primeira atividade do Projeto Cine Popular Cidade Tiradentes, iniciativa de agentes culturais da comunidade, com o apoio do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Universidade de São Paulo e da Subprefeitura de Cidade Tiradentes.

A Mostra de cinema popular terá projeções gratuitas de filmes em 35 mm e será realizada num espaço público de fácil acesso na região. Serão exibidos filmes de longa e curta metragem de produção mais recente, e também importantes obras da história do cinema brasileiro, com a qualidade técnica e fotográfica de uma sala de cinema profissional.

A Mostra pretende ser um primeiro passo para constituir um espaço permanente de exibição e debate da produção cinematográfica, chamando a atenção da opinião pública para esta região da zona leste de alto contingente populacional, grande efervescência cultural e nenhuma sala de cinema. O projeto do Cine Popular Cidade Tiradentes quer incentivar o interesse da comunidade pela cultura cinematográfica, inserindo o audiovisual no campo das atividades locais, buscando promover um espaço de reflexão crítica sobre este imaginário.

Apoio:
Associação Esportiva e Cultural Nova Era
Associação Cultural e Ecológica Tio Pac
Subprefeitura de Cidade Tiradentes
Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da USP
Centro Cultural São Paulo
Associação Cultural Literatura no Brasil

Ciríaco

Sobrevivente do Inferno
Rodrigo Ciríaco
Amigos,
aliados,
recém chegados.
O que mais escuto é:
Tudo é fútil,
o esforço é inútil
e somos infelizes.
Sobrevivo entre mares de revolta,
contendo a minha fúria para apaziguar.
Digo não a violência
mas a minha impaciência
é a nossa sentença e
sem apatia, não deixo relaxar.
Gasto a minha tinta,
gasto a minha lábia,
dedos no teclado
Toco a letra só pra perturbar.
A Quem?
Aqueles que silenciam e se omitem,
aqueles que lucram e me agridem.
As pessoas,
ao mundo em questão.
Não estou contente como estou.
Não estou de acordo com o rumo que
este barco tomou.
Nem partiu e já naufragou.
É muita treta, tristeza,
desesperança e humilhação djow.
Minha mina que chega e chora,
fala sobre os meninos na rua
e me pergunta: e agora?
Eu que trabalho pra “formar o cidadão”,
estudo, reflito e me sinto perdido:
Como acordar essa molecada jão?
Sonho para não gastar o meu tempo
refletindo apenas em derrotas.
Tento lembrar que sou guerreiro,
terei ainda outras vitórias.
E se Maria Nilda me lembra
que ninguém assistiu
ao formidável enterro
De minha última quimera,
seria agora nos idos de Abril?
Sorrio e prossigo
pensando apenas comigo:
teremos outras primaveras
E não estarei sozinho.
Não sou medíocre, sou lutador.
E apesar da linha tênue
continuo sobrevivente,
não serei um perdedor.
Respeito os que caíram.
Saúdo os que nos enganaram,
Suas covardias são as nossas forças.
Ser paciente e perseverante.
Lutar por justiça.
É a diferença entre o ser e o não.
São alimentos que nos fortalecem,
Sementes que se espalham e crescem,
Fortificam a desobediência e
Nos tornam mais um
sobrevivente do Inferno.

Sérgio Vaz

A Cerca (p/dexter)

Deus criou o homem
e o homem criou os muros.
Cercou a casa e as varandas
pelos quatro cantos do mundo.
Cercou o tempo,
o passado
o presente
e o futuro.
Cercou o espaço,
os sonhos
a mente
e os pássaros.
Cercou a árvore
que nos dá o fruto,
a sombra
e a penumbra.
Cercou as matas
arou a terra
plantou o trigo
e cercou o pão.
Foi preciso cercar outro homem.

Sérgio Vaz

Brilho

Enquanto você se observa
parado no lugar.
O vento rouba seu tempo
que perdeu contando passos
que teve medo de dar.
Passa outro em movimento
observa escura sua noite
e brilha em seu lugar.

Sérgio Vaz

12 abril, 2006

Agende-se

“Abertura das inscrições para a IV Oficina Literária”
De 18/4 a 8/5 – Das 9h às 16h
Desde o ano passado, a Coordenadoria de Literatura está promovendo um curso de letras composto por nove oficinas. A quarta oficina terá como tema “A produção do conto”. Ela será realizada todas as terças e quintas-feiras, das 19h às 21h. A oficina ocorrerá de 9 de maio a 8 de junho.
No final da oficina serão escolhidos 10 contos para participar da revista Trajetória Literária II.


Local das inscrições: Casarão das Artes
GRATUITO

“Literatura e cultura norte-americana: palavra e imagem em diálogo”
19/4 – 20h
A Coordenadoria de Literatura está fazendo parceria com professores universitários com o intuito de mesclar educação e cultura. Devido a isso, o professor Roberto Bezerra, mestre em Literatura norte-americana pela USP, estará em Suzano para falar sobre o que influenciou a literatura dos escritores de língua inglesa.Facilitador: Prof. Roberto Bezerra

Local: Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”
GRATUITO

“Lançamento do Fanzine Literaturanossa
20/4 – 19h30
A Associação Cultural Literatura no Brasil lançará a primeira edição do fanzine “Literaturanossa”. No dia haverá um sarau desenvolvido pela própria associação.

Local: Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”
GRATUITO

“Trajetória Literária, com Ignácio de Loyola Brandão”
25/4 – 20h
Dando continuidade ao projeto que consiste em trazer para a cidade escritores nacionalmente conhecidos, Loyola vem à Suzano para falar de sua trajetória no meio literário.
Convidado: Ignácio de Loyola Brandão

Local: Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”
GRATUITO

“Abertura das inscrições para o II Concurso Literário de Suzano”
26/4 a 31/5 – Das 9h às 16h
Realizado em abril do ano passado, o “I Concurso Literário” contou com a participação de 140 escritores e poetas. Desta vez, visando aumentar o número de participantes, a inscrição não se restringirá aos suzanenses; todos da região do Alto Tietê poderão participar.
*Retire o regulamento do concurso

Local: Casarão das Artes, a lado do Centro Cultural.
GRATUITO

Centro Cultural de Suzano
Rua Benjamin Constant, 682 – Suzano – Centro – S.P
Informações: 4747-4180
Coordenador Literário: Ademiro Alves (Sacolinha)

Leminsk...







Duas poesias de Paulo Leminsk

Eu

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora
quem está por fora

não segura
um olhar que demora
de dentro de meu centro
este poema me olha.


Nada me demove

nada me demove
ainda vou ser
o pai dos irmãos Karamazov.

Próximo evento

Suburbano Convicto Produções, Enraizados SP e MHHOB orgulhosamente apresentam...

9º FAVELA TOMA CONTA

O maior evento de hip hop na rua.
DIA 21 de MAIO no Itaim Paulista (Extremo Leste de SP).

Apresentação: Escritor Alessandro Buzo.
Graffit: Mc Tabaco.
DJS: Zóio e Guga.

SÉRGIO VAZ E OS POETAS DA COOPERIFA.
KING NINO BROWN nas pick ups com As 10 + DOS ANOS 70, EM HOMENAGEM À JAMES BROWN.

Shows com......... EXPRESSÃO ATIVA
CLÃ NORDESTINO
DI FUNÇÃO
HORUS
FIELL (RJ)
SPAINY E TRUTTY
REALISTAS NPN (MG)
ANA PAULA_A LIGA
GUERRILHA URBANA
DCM
CONEXÃO POPULAR
D'ELEMENTOS
CARLÃO + 1 GUERREIRO DA LESTE
VISÃO URBANA
REVÉS

Local: Rua Antonio Castanho da Silva, s/n - Em frente aos prédios do CDHU

Como chegar: Onibús Jd Nazaré no Metrô Penha, descer 1 ponto antes de pegar a Estr. Dom João Nery, ir de pé até ela e pagar uma rua depois da ponte. Lotação Guaianazes no centro do Itaim Paulista em frente a CX ECON/FED.

Apoio: Secretária Estadual de Cultura, CONDUTA, Movimento Enraizados, Portal Rap Nacional, MHHOB, REVISTA RAP BRASIL, ZULU NATION BRASIL, COOPERIFA, LITERATURA NO BRASIL, CLAM (RJ), Porte Ilegal.

*SE POSSÍVEL DOE UM LIVRO OU 1 KILO DE ALIMENTO.

11 abril, 2006

Agenda Cooperifa

SARAU DA COOPERIFA

Dia 12 de abril (quarta-feira) 20hs30

Lançamento do cd do grupo PERIAFRICANIA
Aniversário do poeta Allan da Rosa (bolo)

Bar do Zé Batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Jd. Guarujá/chácara Santana
Perto da Igreja de piraporinha zona/sul
f 5891.7403

CASA DOS MENINOS
Apresenta:

Oficina poética com o poeta SÉRGIO VAZ

Incentivo à Leitura e Criação poética

dia 13 de abril 14hs (quinta-feira)

Entrada Franca
Rua Yoshimara Minamoto, 656 Jd. Fim de semana
São Paulo_SP
inf.5511.30.60

A Casa dos Meninos:
É uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, fundada em 1962, com sede a Rua Yoshimara Minamoto, 656 – Jardim Fim de Semana, realiza trabalhos com crianças e adolescentes, com atividades sócio educativas e culturais, atendendo atualmente a 350 jovens. Nosso público é em sua maioria morador da favela do Jardim Fim de Semana e encontram-se na faixa etária de 06 a 24 anos.

Nosso trabalho com crianças e adolescentes, visa a construção de espaços de inclusão social, cultural, para o exercício da cidadania.

Atualmente desenvolvemos o Projeto Ponto de Cultura com oficinas de Percussão, Cinema, Teatro, Artes Plásticas, Dança e Violão.

Projeto Agente Jovem, Núcleo Sócio Educativo para crianças e adolescentes.
Infs. 5511.3060

Dinha na área

Porque o poema também é vingança
Se esperança morre, a rua
se abre, o caminho
se abre e a sorte
escorrega na carne
e o gosto de chuva
batuca na laje,
e os prédios no longe
arranham-no-sonho,
no céu dessas bocas
caladas

cheinhas de grãos
de imaginação dentária
da piada
que ninguém contou.
Se eu rio
é porque num tenho lágrima.
Mas quando o poema se alastra
é pipoca explodindo na alma!

Dinha!

10 abril, 2006

Debate!

Hamilton Borges Walê
Atividade permanente do Movimento Negro Unificado(MNU) na Penitenciária Lemos Brito/BA

Falcão, Ferréz, Daslu
O Quilombo vai falar.

Eu não consegui acompanhar todo o Documentário Falcão sem me remexer no sofá. Eu não li o livro, eu não falei nada por aí, até ver o quadro de Faustão e ler o artigo de Ferrez. Eu tava encolhido, na minha, “na moral”. Eu só escrevo quando sou provocado e neste país racista parece que não vou parar de traçar o que penso pelas letras. Existe um projeto de extermínio no Brasil, um genocídio calculado, implementado no cotidiano. Primeiro, quebram nossa alma e, quando vem a polícia, a enchente, e a conta do mês, nós já estamos praticamente mortos. Falo de um nós específico, não é esse nós geral de povo Brasileiro. Meu ”nós”, aqui, é afirmado pela lógica de povo preto, ou negro, como quiserem. Só não me venham com essa vergonha conceitual de afro-descendente pra despistar o conflito. O genocídio tá virando apelação e alavanca para dar ibope. Que maravilha! A máquina de moer gente da um lucro no “Big Brother” da chacina. Repito: programada pela lógica do racismo! Tô entrando no debate a partir de um lugar histórico, de um território político definido, sem essa de me dissipar no limbo da harmonia racial. Sou um homem preto, maloqueiro, desconfiado e articulado em torno de um poderoso movimento que abriu mais que fissuras e brechas no prédio gigantesco do racismo brasileiro. Fomos dinamite e arrombamos tudo, dominamos “a fita” do debate nacional, desmascaramos o mito da democracia racial e começamos a caminhar por nossas próprias pernas. “Bagulho imperdoável” para a supremacia branca de esquerda e de direita. Não sou inaugural, irmandade. Nem Ferrez é inaugural e nem Bill é inaugural. Tá todo mundo herdando algo de algum lugar. Eu saí da barriga fecunda do Movimento Negro Unificado, que pariu Milton Barbosa, Luiz Alberto, Regina, Luiza Bairros, Yedo Ferreira, Marcus Alexandro, Urânia do Carmo e “uma pá” de gente que luta desde 1978 contra o racismo. Maioridade merece respeito. O documentário de Bill e Celso Athaíde mostra nossa miséria cotidiana, o trauma, a subalternidade revoltada com fuzil na mão. A classe média branca adora isso: o terror de bandeja em seu quarto, servido frio e sem perigo; são nacos de realidade. Mas Falcão engana. Ali não tem nada de real, ali é tudo fabricação, convenção, todo mundo fingindo que acredita que só tem aquilo nas comunidades negras/pobres. É a miséria recortada por uma câmera de vídeo, de cinema; é entretenimento na desgraça, mas não mostra tudo. Portanto, não é real, é um olhar fechado em enquadramentos definidos pela cultura racista da exclusão. Têm brancos por trás dando pistas, é apenas uma janela do que vivemos. Neste cardápio ninguém se interessa pela organização, pela arte, pela cultura, pela posse de referenciais ancestrais de resistência, nosso luxo. Não! A classe média branca quer degustar miséria, já dissemos. Não se fala ali em racismo como entrada do banquete, não se mostra os brancos beneficiários e signatários do tráfico de drogas, de armas, de bebidas, de sexo, de violência. “Colé Dom! Vamo fala sério: os brancos tão numa boa em seu apartamento arejado e se falar esses troço aí, racista é a gente! Que se foda!”. A rede Globo, com a cumplicidade de parceiros de fé, despolitizou a morte de meninos pretos sob comentários racistas de gente do quilate de Glória Peres, toda rancorosa, nos apontando como o “eles” excessivos. Glória mobiliza meio país para por mais gente preta atrás das grades. É isso irmandade, eu também fico muito “puto da cara”, mas vou continuar respeitando MV Bill.O Rato Bill não é nenhum vendido, falta-lhe, sim, perceber na trajetória do Movimento Negro, ferramentas de combate para não ser “tirado” como palhaço junto ao jovem sobrevivente da chacina de todo dia. Não pode permitir ser “comediado” pelo escroto dominical, o tirano do Faustão que nos tem como anomalia. Faustão é letal para nossa inteligência nacional, Bill continua sendo aliado. Ferrez repete que não se vende. Fez livros e vários escritos falando da favela, da periferia, tudo etiquetado e aplaudido pela esquerda branca e ele diz que não é vendido. Cada um tem seu preço, o meu, como dizem os Zapatistas, é um mundo transformado e justo e livre. MV Bill também não se vende, nem se vendeu, pode estar equivocado, mas pelo meu olhar ele não é vendido. É mais um preto querendo fazer algo com um microfone na mão e navegando pela mídia nacional sem cuidado com a armadilha. Ferrez também faz sua crítica a Bill, via a difusão do mal e do desprezo aos pretos na Folha de São Paulo. Daí eu concluo: Rede Globo, Folha de São Paulo, a diferença é o Cachê. Ninguém tocou no ponto central do debate: o racismo. A esquerda branca que aplaude Ferrez e que compra seus produtos não percebe o racismo como contradição nessa sociedade desigual. Querem tudo diluído em suas análises puramente econômicas da sociedade: a luta de classes. Um socialismo caduco que não é alternativa para nada. Como pan-africanista eu vejo a luta por outras lentes. Se a rede Globo não pautou o vídeo Falcão sob a perspectiva do Movimento Negro, a Caros Amigos também não. Fica este texto a disposição para ser publicado, não precisa nem pagar. A esquerda é assim: quer falar no genérico de mulheres, de negros, de transexuais, de homossexuais e de indígenas sob seu olhar e encantamentos. Para eles, a Daslu é apenas o palácio abominável do consumo e para nós a Daslu, a Rede Globo, o Estadão, a Folha de São Paulo e a Internacional Socialista são todas pertencentes a uma irmandade racista que nos despreza como sujeitos políticos. Esta foto acima é do Complexo Penitenciário aqui da Bahia, onde o racismo tem sua face mais branca e cruel, onde nós do MNU, da CUFA/BA, Cooperativa Uhuru e da Campanha Reaja tentamos levar esperança à juventude negra encarcerada, toda preta e indignada. Todos inimigos de Dona Glória Peres, que quer penas cada vez mais duras; trancas cheias e fechadas para os pretos, degradação e tortura. Ela quer ressuscitar a lei de crimes hediondos, que só chega aos pretos. Dona Glória se mobiliza. É a mesma que emite opinião sobre nossa tragédia como se fosse ato ficcional de sua emissora. De qualquer modo, meu papo com o Bill vai ser sempre de crítica e respeito. Respeito sempre. Agora, cá pra nós, existem os privilégios na república do cabelo bom, esses clarinhos de favela com sotaque de periferia, que não pensam duas vezes para bater em parceiros com a arbitragem dos poderosos. “Tão por fora.” Periferia não é tudo misturado não. Tem “boy” na periferia. E, geralmente, é o branco pobre: o dono do Armazém, do Mercado, da Padaria. Branco pobre é cheio de privilégios, “tá ligado”? É este o debate que Falcão não pautou que Ferrez não passou nem perto e que a Daslu vai ter que encarar quando os pretos marcharem juntos para tomarem o que lhes pertence. É desse jeito. Não sou poeta marginal, estou no centro do problema. Sou maloqueiro, colecionador de pedras, de poesia e indignado.

Hamilton Borges Walê
Movimento Negro Unificado/BA
Campanha Reaja ou será Mort@
08 de Abril de 2006

A hora do...

Rush

Outra noite de cidade se aproxima
Sem a lua para refletir teu sol
Quase nada é minha vida assim sozinha
Esquecida entre pedestres e faróis.

Vou sozinha nessa erosão de vida
Que é a rua nesse horário de tumulto.
Na agulha destas palhas sou um deles:
Sou Maria, sou Josés e sou Raimundos.

A buzina de um carro me atrapalha
O farol de um caminhão me denuncia.
Dez mil sombras a vagar pela cidade.
Toda a noite é um turbilhão de luzes.

E eu preciso é de alguém que corresponda
Nessa angústia a um sorriso conhecido,
Que no meio destas sombras arrastadas
Me interrogue, me traduza e me ilumine.

Maria Nilda (Dinha)

08 abril, 2006

Lançamentos em 2006

Vidas em jogo - Dramaturgia - Marco Pezão

85 Letras e um Disparo - Contos - Ademiro Alves (Sacolinha)


Guerreira - Romance - Alessandro Buzo

De passagem mas não a passeio - Poesia reunida - Maria Nilda Motta (Dinha)

07 abril, 2006

Últimas Notícias

Pavio da Cultura – Sarau Cultural
8/4 – Sábado - 20h

A quarta edição do projeto este ano contará com leitura e interpretação de textos, peça teatral, pinturas, desenhos, apresentação musical e filmes. No dia do evento, haverão textos (poesias e contos) em sistema Self-Service para os participantes desprovidos de textos.

Local:
Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”
Rua Benjamin Constant, 682 –
Suzano – Centro – S.P.
GRATUITO

PROGRAMAÇÃO DO ESPAÇO PRETO GHÓEZ

Bienal do Ibirapuera

09 de abril de 2006.

09:30 às 11:30h – Oficina de Produção Cultural – Cuca/PE
Oficina de Intervenção Artística – Cuca/BA (acontecendo pela Bienal com os jovens)

11:30 às 13:30h – Oficina de Literatura - “Enfim, a periferia escreve”. Com Sacolinha, Alessandro Buzo, Allan da Rosa e outros escritores convidados.


19h - Sarau da Cooperifa com apresentação do poeta Sérgio Vaz.


E no mesmo dia na Bienal do Ibirapuera... às 14h

PROJETO O AUTOR NA PRAÇA APRESENTA...

No espaço do MAC (Museu de Arte Contemporânea), debate com o tema “Cultura promovendo a igualdade. Com Alessandro Buzo, Sacolinha, Allan da Rosa, Erton Moraes, Sonia Pereira e Sérgio Vaz.

Serviço:
Local: Porão das Artes - Fundação Bienal de São Paulo
Parque Ibirapuera, Portão 3 - Pavilhão da Bienal, São Paulo - SP
Outras informações: 11-5574-5922 ramal 257 / F: 11-5549-0230 ou seminarios27bsp@bienalsaopaulo.org.br


Pré-lançamento do cd do grupo PERIAFRICANIA

dia 12 de abril a partir das 20hs SARAU DA COOPERIFA APRESENTA:
PRÉ- LANÇAMENTO DO GRUPO PERIAFRICANIA

pontapé inicial para o sonho da carreira musical iniciado no Sarau da Cooperifa.

Bar Zé Batidão Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana Perto da igreja de Piraporinha Zona Sul- Sampa Fone: 5891.7403 Entrada franca


Importante:
Não deixe de Adquirir o livro do escritor Sacolinha, o romance “Graduado em Marginalidade”, com participações de Fernando Bonassi, Sérgio Vaz, Ferréz, Alessandro Buzo e Juan Perone (escritor de Cuba).

Informações: (11) 4747-4180 / (11) 8325-2368

E vem aí o segundo livro do autor: “85 Letras e um Disparo”, aguardem...

06 abril, 2006

Novidade!

O livro "85 Letras e um Disparo", segundo livro do escritor Sacolinha, que será lançado em breve, terá a participação do escritor Moacyr Scliar, (Academia Brasileira de Letras), autor de 74 livros e professor de Medicina na Universidade Pública de Porto Alegre, (R.S).
E como se trata de um livro de contos não poderia faltar a participação de um dos maiores contistas do Brasil... Aguardem!

E no dia 22 de abril (sábado), o escritor Sacolinha estará dando uma palestra para as internas da Penitenciária Feminina do Butantã.
O livro "Graduado em Marginalidade" está rodando as cadeias de São Paulo e acabou caindo nas mãos dessas internas, que conseguiram negociar a ida do escritor através do Projeto "Leitura Livre" da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, (FESPSP).
Para contratar palestras do escritor: (11) 4747-4180 / (11) 8325-2368
e-mail: sacolagraduado@bol.com.br

05 abril, 2006

+ do Pezão!

Acorda brasileiro

Marco Pezão
Cultura é

O que se planta dá


Semente germina embrião

Terra ar sol água

Ato modo efeito

Comportamento

Arroz feijão trigo pão


Cultura é

O que se planta dá


Crenças valores espírito matéria

Complexo padrão esforço apuro esmero


Cultura é

O que se planta dá


Elegância criação

Relativo próprio coletivo

Aprimoramento

Flor fruto

Semeia colhe come


O que se planta dá

Cultura é


Característica gente

Nação país progresso

Bisturi colher de pedreiro

Colarinho animal

A sociedade deve desenvolvimento


Cultura é

O que se planta dá


Microscópio sistema

Poesia húmus

‘Em berço esplendido

Deitado eternamente’

Acorda brasileirooooo!


Cresce cresce cresce cresce

Ação no palco da vida


Cultura é

O que se planta dá



Tardes de outono em mim marcadas

Marco Pezão

O outono chegou, e sempre tenho certa expectativa diante à vinda das tardes de outono. Ele que começou no dia 21 de março, fim da lua cheia e inicio da fase minguante.

Caminhamos abril, e procuro algum cheiro. O suave cair de uma folha. Uma brisa que estampe certo frio quando o sol se põe. O tempo traz mudanças em seu bojo. A estação de outono tem hálito diferente. E parece que sinto, reconheço, mas a impressão é feito lembrança a passar, e a passar.

Tardes de outonos em mim marcadas. E porque tardes e não manhãs? Manhãs, como este dia claro a prenunciar o sol. Que, na balada do meu andar, envolve-me em fragrâncias a percorrer exatamente uma hora de percurso. O tempo recomendado para pensar no corpo. Esvaziar a mente, sentir a gota de suor escorrer da testa e rolar na superfície do nariz.

É outono, e o calor toma de assalto reinício de partida. Caminhemos. Trotemos pausadamente impulsionando o solado do calcanhar para depois articular a frente do pé em próximo golpe. Direito. Esquerdo.

Vejo bifurcação. Sigo a direita ou esquerda? À direita, asfalto longo que leva a lugar nenhum. À esquerda, duas pequenas árvores fracas e sinuosas. Caminho de terra. Inspira e não transpira confiança.

Atalho e o cimentado estende à beira do riacho. Sou demagógico ao chamá-lo de riacho. Hoje escorre em seu leito, excremento. Mas conservo dele braçadas em água límpida e particular envolvimento.

Tardes de outono em mim marcadas.

E porque não desmarcá-las já que sinto a tomada de ar puro invadindo meus pulmões. Uma volta completa na praça e os ponteiros cravam vinte minutos. Adiante. Continuemos a trotar.

Ao redor envolvo quadra de dimensões antiga. A extensão do terreiro avança em arvoredos. A casa em seu estilo. Meu olhar passeia na simplicidade e feitio da construção. Construção de uma época. Varanda, cumieira. O que restou da chácara. Quantas histórias habitam em paredes caiadas, de tijolos nascidos do barro de próxima olaria?

Cerca em rede de arame. Chuchuzeiro enlaçando o fio. O formato de caramanchão. Vivas aves. Patos ou marrecos? Como distinguí-los?

Um galo. Galinhas vermelhas. O frango branco, sim. Ciscando e conversando entre si o linguajar de olhares neutros. Passo, e eles passam. E os meus passos giram a esquina.

Tardes de outono em mim marcadas. Sintam o brilho que o meu rosto reflete. Eu vivo. Pensamentos contraditórios à sombra projetada no chão que indefinidamente comigo caminha, eu digo: Que venha o inverno!

E mais adiante a primavera. E que minhas passadas se alonguem em outro verão. E os passarinhos. E as cigarras já tão ausentes. E o amor furtivo, quem sabe, se aproxime vindo de um beco qualquer.

Tardes de outono em mim marcadas: fazei-me alcançar o amanhã das tardes de outono em mim marcadas...


04 abril, 2006

Sérgio Vaz

ANJO TORTO*

Ao longo do tempo
tenho descoberto em você
a vontade de viver.
Soprado aos teus ouvidos
todas as minhas vontades.
Devorado cada momento
com fome de liberdade.
Troquei minhas raízes
por duas asas invisíveis
e tenho voado ao teu redor
como um anjo irresponsável
não para velar o teu sono,
mas para assistir o teu despertar.

Sérgio Vaz


VIAGEM

Quatro jovens
morreram na chacina
do fim da rua.
Conforme a notícia
dois deles tinham passagem.
Os outros dois...
Foram assim mesmo,
clandestinamente.

Sérgio Vaz

* Poesias do livro "A poesia dos deuses inferiores"
www.colecionadordepedras.blogspot.com