05 abril, 2006

+ do Pezão!

Acorda brasileiro

Marco Pezão
Cultura é

O que se planta dá


Semente germina embrião

Terra ar sol água

Ato modo efeito

Comportamento

Arroz feijão trigo pão


Cultura é

O que se planta dá


Crenças valores espírito matéria

Complexo padrão esforço apuro esmero


Cultura é

O que se planta dá


Elegância criação

Relativo próprio coletivo

Aprimoramento

Flor fruto

Semeia colhe come


O que se planta dá

Cultura é


Característica gente

Nação país progresso

Bisturi colher de pedreiro

Colarinho animal

A sociedade deve desenvolvimento


Cultura é

O que se planta dá


Microscópio sistema

Poesia húmus

‘Em berço esplendido

Deitado eternamente’

Acorda brasileirooooo!


Cresce cresce cresce cresce

Ação no palco da vida


Cultura é

O que se planta dá



Tardes de outono em mim marcadas

Marco Pezão

O outono chegou, e sempre tenho certa expectativa diante à vinda das tardes de outono. Ele que começou no dia 21 de março, fim da lua cheia e inicio da fase minguante.

Caminhamos abril, e procuro algum cheiro. O suave cair de uma folha. Uma brisa que estampe certo frio quando o sol se põe. O tempo traz mudanças em seu bojo. A estação de outono tem hálito diferente. E parece que sinto, reconheço, mas a impressão é feito lembrança a passar, e a passar.

Tardes de outonos em mim marcadas. E porque tardes e não manhãs? Manhãs, como este dia claro a prenunciar o sol. Que, na balada do meu andar, envolve-me em fragrâncias a percorrer exatamente uma hora de percurso. O tempo recomendado para pensar no corpo. Esvaziar a mente, sentir a gota de suor escorrer da testa e rolar na superfície do nariz.

É outono, e o calor toma de assalto reinício de partida. Caminhemos. Trotemos pausadamente impulsionando o solado do calcanhar para depois articular a frente do pé em próximo golpe. Direito. Esquerdo.

Vejo bifurcação. Sigo a direita ou esquerda? À direita, asfalto longo que leva a lugar nenhum. À esquerda, duas pequenas árvores fracas e sinuosas. Caminho de terra. Inspira e não transpira confiança.

Atalho e o cimentado estende à beira do riacho. Sou demagógico ao chamá-lo de riacho. Hoje escorre em seu leito, excremento. Mas conservo dele braçadas em água límpida e particular envolvimento.

Tardes de outono em mim marcadas.

E porque não desmarcá-las já que sinto a tomada de ar puro invadindo meus pulmões. Uma volta completa na praça e os ponteiros cravam vinte minutos. Adiante. Continuemos a trotar.

Ao redor envolvo quadra de dimensões antiga. A extensão do terreiro avança em arvoredos. A casa em seu estilo. Meu olhar passeia na simplicidade e feitio da construção. Construção de uma época. Varanda, cumieira. O que restou da chácara. Quantas histórias habitam em paredes caiadas, de tijolos nascidos do barro de próxima olaria?

Cerca em rede de arame. Chuchuzeiro enlaçando o fio. O formato de caramanchão. Vivas aves. Patos ou marrecos? Como distinguí-los?

Um galo. Galinhas vermelhas. O frango branco, sim. Ciscando e conversando entre si o linguajar de olhares neutros. Passo, e eles passam. E os meus passos giram a esquina.

Tardes de outono em mim marcadas. Sintam o brilho que o meu rosto reflete. Eu vivo. Pensamentos contraditórios à sombra projetada no chão que indefinidamente comigo caminha, eu digo: Que venha o inverno!

E mais adiante a primavera. E que minhas passadas se alonguem em outro verão. E os passarinhos. E as cigarras já tão ausentes. E o amor furtivo, quem sabe, se aproxime vindo de um beco qualquer.

Tardes de outono em mim marcadas: fazei-me alcançar o amanhã das tardes de outono em mim marcadas...


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