02 dezembro, 2007

SUPER-HERÓI BRASILEIRO

SUPER-HERÓI BRASILEIRO

Sou negro
Sou branco
Sou raça
Sou forte
Sou homem de aço
Do peito magro
Sou do povo
Nasci desta terra
Sou do morro
Sou da favela
Dos pobres e dos ricos
Dos prédios bonitos
Do centro da cidade
Mendigos ou engravatados
Pretos, brancos vivemos no mesmo estado.
Sou negro sim
Sou branco também
Preto, mulatinho
Branco indo para o moreninho
Da pele negra,
Da pele clara.
Depende do seu ponto de vista
Do cabelo enrolado
Do cabelo pixaim
Do cabelo liso
Esticado pela chapinha
Sou super-herói
Do pé rachado
Sou super-herói
Da sunga rasgada
No meu peito tem um símbolo
Remendado por fita adesiva
Que mal aparece
Sou super-herói
Do boné remendado
Sou super-herói
Brasileiro
De muitas raças e crenças
Que trabalha o dia inteiro
Construindo mansão
Ou algum barraco num aterro
Depois de um dia suado
Não vejo a hora de chegar em casa
Meu barraco minha morada
Meu esconderijo
Tiro minha roupa
Uniforme surrado
Tomo banho de cuia
Em minha casa não tem chuveiro instalado
Dar um beijo em minha veia
E um abraço na molecada
Assistir televisão preta e branca
Na era digital, é duro.
Não conseguir compra nem a colorida
A minha condução era a magrela
Mais furou o pneu
Cadê o dinheiro
Nem começou o mês já acabou
Tenho que andar na sola
Com aquele par de chinelos
Da correia quebrada
Segurada com um prego
Sou negro
Sou branco
Queimado pelo sol
De trabalhar o dia inteiro
Sem nenhuma proteção
Em minha família
Tem preto, branco, amarelo.
Já não sei mais qual é minha cor
Já não sei mais qual é minha nacionalidade
Que minha família começou
Sou negro
Sou branco
Sou amarelo
Na verdade temos mesmo que esquecer a cor
Trabalhar em conjunto
Fortalecendo uma só nação
Construindo pensamentos
Deixar de culpar os outros
E correr atrás para nos mesmos
Sou negro
Sou branco
Sou amarelo
Sou super-herói
Brasileiro
Que sobreviver com salário mínimo.
O que adianta minha cor.
Sou negro
Sou branco
Sou amarelo
Sou qualquer cor
Sou super-herói brasileiro.

Paulo Pereira

Cidinha da Silva em Suzano