12 julho, 2008

"GRADUANDO-SE NA ARTE DE ESCREVER".




Certo dia resolvi me tornar um escritor, mas, para tanto, me faltava uma receita, e, qual era o remédio... – senão aguardar!

Assim sendo, esperei pela minha singela oportunidade...

Ela chegou...

Tomei com a destra a batedeira que dormia na prateleira, conectei-a à corrente alternada fornecida pela concessionária, juntei duas colheres e meia da margarina Paulo Coelho, três copos da farinha de trigo Mário Quintana, cinco gotículas da essência de baunilha Sidney Sheldon, duas chávenas de leite Frederico Garcia Lorca, meio quilo de açúcar Cecília Meirelles, uma taca de vinho Cora Coralina, cinqüenta gramas de fermento Ariano Suassuna, três pitadinhas de sal Chico Buarque de Holanda, uma xícara de chocolate Patativa do Assaré, e, um copo e meio de suco Clarice Lispector, bati os ingredientes até formar uma massa homogênea e deitei na forma Rachel de Queiroz.

Isto feito, levei ao forno Graciliano Ramos, assei por não mais do que trinta minutos, e, assim, inventei o bolo
YoSePH YoMSHYSHY.

Não fui nem um pouquinho egoísta, parti-o, e, em seguida, o dispus em singelas fatias, porém com pesos e tamanhos diferenciados e assim distribuídos; cinqüenta e cinco gramas de Paulo Pereira, cinqüenta gramas de Rejane Barros, cem gramas de Elisabete Silva, cento e dez gramas de Cáquis, cento e vinte gramas de Aldigênio, cento e cinqüenta gramas de Micheli, cento e noventa e cinco gramas de Paulo Odair, duzentos gramas de Francis Gomes, trezentos gramas de Sacolinha, em partes iguais de duzentos e oitenta gramas para os demais, e, lógico, quem parte fica com a maior parte; quinhentos gramas para eu mesmo, YoSePH YoM SHYSHY.

Faltava-me algo; o reconhecimento...

Depois de algum tempo, uma coletânea de manuscritos, uma faina de textos guardados nos escaninhos da vida, atropelos e decepções, lembro-me... – vi [Rosas de Hiroshima e Nagasaki] publicada no livro [Canto, conto e encanto com a minha história (de Arujá – grifo meu) na mágica essência João Gonçalves Machado... – o início!

Ninguém me ensinou a escrever, ninguém me deu uma taça do licor do talento, aliás, não existe licor algum, curso, essas coisas, para essa finalidade; o talento?

O talento é nato, não se compra em uma loja de bens intangíveis...

Sugeriram-me:... – escreva para o povo, mas o povo, com raríssimas exceções, não se dedica à leitura, não obstante, continuo escrevendo sob metáforas, em linguagem de parábolas, USAndo e abUSAndo dos paradigmas e dos paradoxos, e, desse modo, ouso transpor os umbrais das portas da escrita.

Nasci; nasci filho da Benedicta Alves Pimenta, depois Pimenta Lopes, apelidaram-me Mário Moreno, Cantinflas, Enciclopédia, e, finalmente, Ruy Barboza, mas, na verdade, me realizei no dia em que deixei de ser um parasita intra-uterino, cresci, li, para me tornar o YoSePH YoMSHYSHY, então; o último conto que publiquei é:... – [In mundus diferentes firmati sumus].

Não tenho escolha, vivo para a literatura, respiro-a ao dia, à tarde, e, à noite, faço o que gosto, me embriago com a dança das letras quer nos computadores, quer fluindo das mini-esferas das Bic, Pilot, ou, Faber Castell e se me afastar deles e de suas letras... – morro!

A literatura é a hemácia que colore o meu sangue na arte de escrever, por isso; se quiserem me matar, não usem armas, sejam elas quais for; privem-me do contágio de uma pena, de uma folha de papel, ou, de um computador e a morte será lenta e indolor...

Isso!

11 julho, 2008

"NEM SÓ DE AMOR SE CONSTRÓI UMTÁLAMO."


Não se negue; na atual conjuntura do mundo no terceiro milênio, na família,o senso de responsabilidade está em um estágio de quase nulidade, pois o mundo se encontra imerso na avalanche dos divórcios que, dia-a-dia, geram no âmbito dos corredores forenses toda uma faina de processos que empilham tanto os escaninhos dos fóruns quanto as escrivaninhas dos juízes, aguardando, deveras, a sentença dos magistrados sobre o destino dos casais.

Nesses casos, a vernácula mais empregada na argumentação jurídica outra não é senão:... - [Reconciliação] - tornar a conciliar - tornar cônscio, logo; nada mais, nada menos do que [Repensar.].

No entanto, o que se sabe?

A geratriz de tantos desencontros é como uma verdadeira bússola apontando para o norte da degredação familiar... - cético eu?... - No máximo conservador dos princípio do moral.

Causas podem ser diversificadas, afinal, diante da sistemática moderna, há, sem dúvidas, toda uma faina interpretativa no microcosmo em que se transforma o cérebro humano... - sim, ou, não?

Contudo, como se sabe [nem só de amor se faz um ninho], e, eis o enigma ante nós; o que é tálamo?

Do latim [talamu], leito conjugal, cama onde um casal se entrega, tem no amor a madeira nobre ideal para a sua construção, mas não somente; há de ser ter, ainda, os parafusos da tolerância, as polcas do avanço e do recuo, e, ainda, o verniz da mansidão e o polimento do respeito.

Para se construir um tálamo é necessário, antes de tudo, um pacote de comprometimento, de volição, de entrosamento e molde em detrimento da vida a dois.

Tudo isso, envolve cessão, integração, aceitação. individualidade, respeito, confiança. carinho, carisma, e, acima de tudo, amor e muito mais.

Adélia da Silva Costa, a [Dolores Duran - 1930 / 1959] bem traduz esse estágio de vida quando diz:... - [Hoje, eu quero a rosa mais linda que houver, e a primeira estrela que vier, para enfeitar a noite do meu bem, hoje, eu quero paz de criança dormindo, e o abandono de flores se abrindo, para enfeitar a noite do meu, quero a alegria de um barco voltando, quero ternura de mãos se encontrando, para enfeitar a noite do meu bem; ai, como esse bem demorou a chegar, eu já nem sei se terei no olhar, toda ternura que eu quero lhe dar.].

Não obstante, o surgimento da pílula anticoncepcional na década de sessenta, as ideologias pregadas por John Lenon, Paul MacCartney, George Harinsson e Ringo Star, o movimento hippie e as demais transformações, revolucionam a sociedade de todos os tempos e, como conseqüência, vem o enfraquecimento da família... - resultado...

Diante disso, os casamentos são, nos dias da premente atualidade, como um Corinthians versus Palmeiras, como uma disputa entre a Mangueira e a Beija-flor, como uma viagem até os anéis de cristais de gelo e poeira cósmica de Saturno; passageiros; quando na realidade deveriam representar um passeio entre o nadir e o zênite; perenes, mas, não o são.

Daí; muitas vezes vem no âmago dos corações o arreependimento, ainda que tardio, e que Adélia da Silva Costa a Dolores Duran, também, expressa em suas composições: ...- [A gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer, briga pensando que não vai sofrer, que não faz mal se tudo terminar, um belo dia, a gente entende que ficou sozinho, vem a vontade de chorar baixinho, vem o desejo triste de voltar, você se lembra, foi isso mesmo que se deu comigo, eu tive orgulho e tive por castigo, a vida inteira para me arrepender, se eu soubesse, naquele dia o que eu sei agora, eu não seria esta mulher que chora, eu não teria perdido você.].

Demais disso, que se possa usar o intelecto e, a partir desta leitura, exercer a nossa mais crassa reflexão, e, se possível, entender, de uma vez por todas, que [nem só de amor se constrói um tálamo], afinal, o amor é o tálamo, o amor é o sexo, o amor é o prazer... - filosofe-se:... - [o amor é como duas pombas que voam; uma com a asa esquerda, outra com a asa direita porque estão de asas dadas.].

Amor sem cama sobrevive, cama sem amor; jamais...

05 julho, 2008

Fotos L.B

Essas imagens abaixo são do Sarau do Elo da Corrente, no dia do lançamento do livro que leva o nome do sarau. O lançamento ocorreu no em Pirituba, no bar do Santista, dia 19 de junho desse ano.
A Associação Cultural Literatura no Brasil esteve presente e agradece o convite e a recepção do coletivo Elo da Corrente.

















02 julho, 2008

NEGA

Nega deixa tocar no seu pandeiro
Não sou sambista e nem pagodeiro
Sou apenas um branquelo cheio de amor pra dar.

Oh! branquelo se você quer tocar no meu pandeiro
Tem que mostrar que é bom partideiro e que tem samba no pé.

Oh! nega fui criado nos bailes lá perto do morro
Hoje ando de terno e gravata
Mas no amor ainda sonho como uma criança

Oh! Branquelo você não respondeu minha pergunta
Tem ou não tem samba no pé

Nega vou lhe responder a sua pergunta
Quando se ama
O homem vira uma criança
E a criança vira homem
Mas para te mostrar que te amo
Vou sambar agarradinho com você até o sol raiar

Então branquelo mostra que você tem samba no pé
E sabe sambar agarradinho ou só é garganta

Então nega chega perto do seu branquelo
E fique bem agarradinho
Que vou te mostrar que também sei sambar
E posso te amar

Nega

Fala branquelo

Nega

Fala branquelo

Nega agora posso tocar em seu pandeiro

Branquelo você mostrou que é um verdadeiro partideiro
E tem samba no pé
E mostrou que também sabe amar uma mulher
Branquelo agora o meu coração e meu pandeiro são todo seu

Nega minha alegria está completa
Tenho seu coração
E no seu pandeiro posso tocar
Nega
Chega mais pertinho e dá um beijo no seu branquelo

Nega

Fala branquelo



Paulo pereira
Associação Cultural Literatura no Brasil
paulo.pereira13@isbt.com.br

"AS APARÊNCIAS NEM SEMPRE SE CONFIRMAM, MAS ENGANAM!".

A história que pretendo contar, hoje, 02 de julho de 2008, se passa há, exatamente, vinte e oito anos...
Acontecendo em 28 de janeiro de 1980, é claro que, não estando, àquela época, enfocado nas manias e nas estratégias dos escritores, não se fez o registro pleno dos acontecimentos daquele dia, noite; sei lá! Por isso, tento reproduzir o diálogo, pois o objetivo outro não o é senão o demonstrar dos estágios da existência em que cometemos os ledos enganos de nossa mais crassa utopia.
São 10h 15m da manhã; o meu Gerente Administrativo me conclama. O colega que, normalmente, acompanha essas personalidades está, à serviço, na interessante Curitiba, e, nessas condições, impossibilitado de colaborar com o personagem em visita ao país.
Recebida a missão, me desloco até o Hotel onde se hospeda o tal personagem, e, ali, tem início o meu colóquio profissional...
Não obstante, destaco algumas considerações que, a princípio, vão se encaixar no texto que se pretende trazer à luz nesta manhã enevoada de inverno do Estado de São Paulo...
O personagem em questão iria apresentar um show no Estádio Mario Filho chamado, também, pelo cognome de Maracanã... - e já se aproxima das dezoito horas quando, tomando um taxi, na localidade conhecida por Cinelândia, desloco-me até Copacabana no intuito de pegá-lo, e, desse modo, ajudá-lo a cumprir a sua missão.
Conversamos muito sobre o Brasil, sobre a sua pátria, sobre os costumes, sobre tudo afinal, mas, como já disse seleciono algumas alocuções que ilustram tudo quanto se pretende trazer à luz neste texto.
Difícil é para nós, habitantes desta pátria, aceitar de forma normal as colocações de estrangeiros que, por aqui transitam.
Tenho em linha de conta que, mais ou menos, o retratado me diz:... - [Do you know? In first of all, I never came to Brasil because I had inside my mind that Brasil was a country of gangster. Verily, verily, nowadays, I think that I hadn't reason because the Brasil wasn't a country of gangster, but I was mistaken it about. Brasil is a country where live a wonderful people and today is the more happy day of my professional sing life because I'm here presenting mine songs to yours. Forgive me for all; I love Brasil; I love everybody... - Você sabe? Antes de tudo, eu nunca vim ao Brasil porque eu tinha em minha mente que o Brasil era um país de marginais. Em verdade, em verdade, atualmente, eu penso que eu não tinha razão porque o Brasil não era um país de marginais, mas eu estava enganado sobre isso. O Brasil é um país onde vive um povo maravilhoso e hoje é o dia mais feliz da minha vida de cantor profissional porque eu estou aqui apresentando as minhas canções para voces. Perdoe-me por tudo; eu amo o Brasil, eu amo a todo mundo...]
O show é um maravilhoso sucesso e, depois disso, de vez em quando Francis Albert Sinatra ligava para conversar sobre o Brasil convicto de que; as aparências enganam e como?
É isso aí!

"AMOR LÚBRICO OU CÓSMICO?".

Povo da Literatura no Brasil, este poema foi escrito para o [Amor Lúbrico - textos para serem lidos na cama], mas, como não se podia concorrer nas duas categorias, e, optei pelo conto; ei-lo a posteriori...

Como quisera lhe dizer:... - Estou em teste,
E, não sou daqui, mas um extra-terrestre,
Oriundo, sim, desse universo cósmico.
De lá; viajo por quarenta trilhões de quilômetros,
E, claro; não me preocupo com esse tal cronômetro,
Do relógio do tempo; o protótipo.
Venho de um planeta que orbita a Alpha Centauro,
Estranho; sou metade homem e metade tauru,
É, acho; sou mesmo um ser utópico.
E nesta utopia desse meu singelo caminhar,
No Terra, eu venho, apenas, lhe amar,
Diante do meu abstrato amor exótico.
Venho viver consigo a estranha aventura,
E, oferecer-lhe trinta de comprimento e seis de largura,
Neste mundinho seu de tão despótico.
Quero me escorregar nos fluídos do seu sexo,
E, lentamente, fazer-lhe provar o amor convexo,
Tão sensual, tão selvagem, tão estóico.
Quero provar, é claro, a descarga da centelha,
Que emana desse seu sangue em cor vermelha,
Perante o meu verde nesse intróito.
Entretanto, não lhe expor ao contágio da diversidade,
Contrastante entre hemácias verdes e vermelhas; é verdade,
Porque não sou, eu, um ser insano ou paranóico.
Assim, é que, na estrada que, na vida, se caminha,
Eu hei de usar, sim, em meu pênis, a camisinha,
Pois, até o meu sêmen não é terreno; é cósmico!


01 julho, 2008

O AMOR CONCRETO

Você disse que me ama
Mas eu não acredito
Se amar é tão fácil então tente engolir um frasco de comprimido
Se a beleza é pura o verso é incompleto
Penso no certo sabendo que o amor é incerto
Fala que me ama
Eu acredito que isso não é concreto

Paulo Pereira
Associação Cultural Literatura no Brasil

Sobre seres humanos!

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