31 julho, 2006
MANIFESTO
Neste domingo o jornal Folha de São Paulo veio com uma matéria sobre escritores da periferia comandada pelo escritor Joca R. Terron. Ele teve a missão de contar a história de alguns deles, no caso, eu, Alessandro Buzo (que conseguiu a matéria), Sacolinha e a Dinha. Até aí tudo bem, pois a única mancada foi um problema de edição, em que parece que somos nós os criadores da FLAP, mas que ele se explica no seu blog (www.heelhotel.blogger.com.br) e dá os devidos creditos a quem merece, Ana Rusche e o pessoal do projeto identidade.
As fotos do João Wainer ficaram muito loucas. Rara sensibilidade. Ele entendeu como poucos o que é realmente o sarau da Cooperifa e seus poetas.
Já a jornalista, Marianne Piemonte, que esteve no sarau e escreveu a matéria "Salve, guerreiros"- na mesma revista-, parecia que estava em outro lugar, tamanha falta de sensibilidade. Começa dizendo que os documentários que a gente apresenta antes do sarau "entretém" as pessoas, quando na verdade educa. O cine becos e vielas tem apresentado vários curtas e documentários para nos suprir a falta de cinema e nos desentoxicar do excesso de filme americano que nos enfiam goela abaixo. Entendeu?O sarau vai completar cinco anos de vida, por isso, quando ela diz que os curiosos começam a rondar desconfiados (com o quê, com a poesia?), recebem um salve e não atravessam. Ali ninguém atravessa e nunca atravessou, aliás, nós que atravessávamos a ponte para ter cultura, e hoje, alguns amigos estão fazendo o caminho contrário, só para nos ver. Eu disse os amigos.
Diz também que ao ouvirmos um barulho de uma brasília velha lançamos olhares poucos amistosos para o veículo. Nós não temos olhares poucos amistosos, nós somos amistosos! Apesar de tudo e de todos, nós somos amistosos. Apesar da nossa poesia contundente, somos amistosos. O que não pode ser confundido com exóticos. Nunca, nós não permitimos isso.
Quando ela se refere ao que eu disse referente à USP comete outro equívoco. Não quero colocar a malandragem lá (que malandragem?), muito pelo contrário, gostaria que a malandragem saísse de lá.
As mulheres negras são enaltecidas, mas há também loiras por lá, que também são bem-vindas, mesmo depois da reportagem que afirma que elas não frequentam o sarau. Todos são bem-vindos: poetas, escritores, branco, preto, amarelo, atores e atrizes, cineastas, músicos, artistas em geral, e principalmente, a comunidade, a nossa razão de ser.
Nós que sofremos tantos preconceitos não somos capazes de cometê-los. Nem com jornalistas.O envolvimento dela com o sarau foi tanto que me chama de Sandro na matéria, o mc Sandro Vaz. "Eu só quero é ser feliz...". Esse tal de Sandro até que me ajudou a se defender das críticas que estou recebendo pelo telefone e pelos e-mails que não param de chegar. O povo tá indignado, alguns acham que, por conta das palavras inseridas no texto da matéria -truta, ronda, olhares poucos amistosos, capuz, desconfiados, ficam de boa, não atravessam, etc.-, mais parecia uma reportagem do Brasil Urgente, do Datena, e não um sarau de poesia.
Se ela soubesse o quanto a gente tem feito e faz por um mundo melhor na periferia...
Aos que conhecem e frequentam o sarau da Cooperifa, e que já leram e viram outras matérias positivas sobre nós, peço que desconsiderem essa deselegância cometida pela jornalista na revista da folha. Seguiremos, mesmos com as pedras no nosso caminho.
A todos que se sentiram ofendidos com a falta de sensibilidade da matéria, eu peço desculpas, foi eu quem deixou a porta aberta. No mais, todos são bem-vindos. Todos!
Sérgio Vaz, poeta!
Nova II
Eu conheci Madame Satã
Ele estava no Vale
dos Órfãos de pais não mortos
Era ele
Seduzia com palavras doces
As mulheres sensíveis
Dizia-as o que deveria ser escutado
Seduzia os homens
Sérios e de jeito homem
Com palavras sérias e panfletárias
Ele era esperto
Quase malandro
(Madames são malandros?)
Seduzia a todos
Para que lhe dessem
um pouco de suas vidas
E era madame.
Seu rosto estava machucado
De ferimentos em carne viva
Ele era todo em carne viva
Rapidamente disse
que brigou na rua de sua mãe
Quase o descobrem!
Mas, como uma doce ordem,
também disse que agora estava estudando.
E assim deveríamos mudar de assunto.
E assim recobriu sua alma ferida
E assim mais uma vez não foi descoberto
Continuou sua dança de sedução
Sua presença forte de vida
não o deixava escapar aos nossos olhos
Sua doçura e sua dor
a nós prensava o peito
Não tinha como escapar
Não podíamos fugir
de sua força de existir
Ele sofria
E era feliz
Fingia sofrer
Fingia se feliz
Ele era forte
Era doloroso
Fingia ser forte
Fingia agredir
Era sensível
E isso ele não fingia
Era ele
E assim vive
E eu o ví .
Alan Sueira
Nova
Ratos
não somos.
A gente é
é tigre
que avança
abate
E sai deixando a carcaça
e a carniça.
Apaga a bituca em meu olho.
Vê se eu cego
(ou se morro)
antes de ver mamã chorar.
Que eu não vou botar meus óculos.
.......................................................
Quando estilhaçar seus ossos,
também vou te olhar nos olhos.
Dinha é autora do livro:
De passagem mas não a passeio!
29 julho, 2006
Sessão geral
Nada é igual:
A beleza das orquídeas
O perfume das flores
O encanto das rosas!
Nada é tão lindo:
Como as cores de um arco íris,
O brilho das estrelas,
O cintilar de um diamante!
Nada é tão mágico:
Como em noites de lua cheia,
Recitar um poema de amor,
A quem ama e beijá-la.
Nada é tão forte:
Como o vento e a água.
O fogo que abrasa,
Os raios do sol!
Nada é mais maravilhoso,
Nem mais lindo,
Nem mais forte,
Nem mais mágico,
Do que tudo que falei.
Porém elas todas juntas,
Não são especiais como você.
Posso viver sem todas elas,
Sem todas elas eu seria poeta,
Mas sem você, como eu seria um poeta?
Nada me inspiraria,
Para quem eu recitaria meus versos de amor?
Porque ser especial ao meu ver,
Não é ser linda ou encantadora,
Brilhante ou mágico,
Forte ou charmosa,
Maravilhosa, ou deslumbrante.
Não é ter cabelos longos ou curtos,
Olhos verdes, azuis, pretos, pouco importam.
Ser alta ou baixa, magra ou gorda,
Nada disso importa,
Ser especial para mim é ser como você.
Nada mais, simplesmente assim como você. ESPECIAL.
Francis Gomes
Quando eu morrer, quero ser carregado no lombo de um burro, enrolado em uma rede amarela, com pintas vermelhas, não quero choro, nem vela.
Coloquem-me a peruca mais bonita para relembrar dos meus belos cabelos que tive na infância e que caíram com o passar dos anos.
Quero trapezistas, palhaços e artistas. Um carro com locutor gritando: lá vai o morto, sendo carregado no lombo do burro.
No enterro, não quero que ofereçam café, quero uma churrascada, refrigerantes e muitas cervejas geladas ah!E também uma roda de samba com músicas feitas em minha homenagem.
Quero que minhas esposas se abracem e gritem: ele foi um bom pai, um eterno namorado, um excelente marido e um grande amante, viva o morto e sua conta bancária.
Na rua, quero bexigas, balas, bombons e chocolates para distribuir para a garotada. E as senhoras com faixas e cartazes dizendo: um belo homem e um bom adubo para ser enterrado lá em minha casa.
Não quero luto, quero que decretem feriado nas escolas, alunos sejam dispensados e as firmas mandem seus funcionários para a casa do morto que participem da última churrascada.
No cemitério, quero que enfeitem os túmulos com rosas, vermelhas, que depois do enterro elas sejam distribuídas para as mulheres presentes. Quando forem me colocar na cova me desenrole de minha rede e que me joguem na terra a rede podem dá-la para o primeiro preguiçoso presente, espero que não tenha brigas.
Depois, não quero que comentem do enterro e nem do burro, só da festa e da bela churrascada que foi dada.
Ass: O morto
Paulo Pereira
27 julho, 2006
Agenda de Agosto
LITERATURA
1/8 a 22/8 – Das 19h às 21h
Desde o mês de agosto de
Local: Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi
GRATUITO
Lançamento do livro “85 Letras e um Disparo”, do escritor Sacolinha
8/8 – 20h
Em seu primeiro livro, lançado no ano passado, Sacolinha conseguiu surpreender seus leitores. Desta vez não será diferente. Em “85 Letras e um Disparo” tudo pode acontecer; desde um escritor que viaja 240 km de trem para vender seus livros em bares, até uma prostituta que tem argumentos suficientes para provar que não é prostituta.
Local: Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi
Pavio da Cultura – Sessão Solene
12/8 – 20h
Além das atividades já realizadas no sarau como recitais de poesias, interpretações de textos, shows musicais e peças de teatro, será divulgado neste dia o resultado do “II Concurso Literário de Suzano”, que premiará os 20 melhores trabalhos entre contos, crônicas e poesias. Aproveitando o evento, a Associação Cultural Literatura no Brasil lançará a 3ª edição do fanzine “Literaturanossa”.
Local: Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi
GRATUITO
Trocando Idéias
23/8 – 20h
Neste mês, com o apoio da Secretaria de Cultura de Suzano, a Associação Cultural Literatura no Brasil lança o projeto “Trocando Idéias”, que consiste na análise e discussão de obras e autores literários. Para dar início ao projeto, os integrantes da associação farão um debate sobre o livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos.
Facilitadora: Maria Varjão, professora
Local: Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi
GRATUITO
Filosofia sem Café
27/8 – 16h
Realizado pela Associação dos Professores de Filosofia do Alto Tietê (Aprofat), com o apoio da Secretaria de Cultura, o encontro reúne pessoas que produzem pesquisas em universidades e se dispõem a expor e comentar seus trabalhos com todos os interessados. Quem quiser participar ou obter mais informações pode enviar um e-mail para aprofat@uol.com.br.
Realização: Associação dos Professores de Filosofia do Alto Tietê (Aprofat)
Local: Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi
GRATUITO
Centro Cultural de Suzano
Rua Benjamin Constant, 682 - Centro - Suzano
Informações: (11) 4747-4180
26 julho, 2006
Sarau Erótico
Pavio da Cultura | |||||
Neste sábado tem sarau erótico | |||||
Grupos teatrais farão apresenatação com base em textos de Nelson Rodrigues | |||||
Com recitais de poesias, cenas de filmes e esquetes teatrais, a Secretaria de Cultura de Suzano promove no sábado (29/7) mais uma edição do Pavio da Cultura, a partir das 20h, no Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”. O sarau literário desta vez será erótico, destinado a um público com idade acima de 18 anos. Haverá ainda neste dia o sorteio de cinco kits eróticos. A entrada é gratuita a todos os interessados. De acordo com o Coordenador Literário, Ademiro Alves, o Sacolinha, o local será especialmente decorado para o evento. “Vamos colocar quadros eróticos dos artistas plásticos Pedro Neves e Policarpo Ribeiro, poesias eróticas projetadas no telão e uma iluminação avermelhada, tudo para tornar a noite de sábado mais quente e agradável”, comentou. Segundo ele, a idéia de promover o sarau erótico a cada quatro meses é justamente de divulgar essa literatura discriminada pela grande maioria, mas que possui grandes autores como Jorge Amado, Hilda Hist, Moacyr Scliar e Ignácio de Loyola Brandão. Os grupos de teatro Neura, Cia 5 e Caixa de Nozes farão uma apresentação especial baseada no texto “A Serpente”, de Nelson Rodrigues. Participam do elenco Ed Nicodemo, Natane Tuane, Fabíola Godoi, Marcos Roberto e Daniele Santana. Outras intervenções teatrais também estão na programação do evento, além de uma atração surpresa preparada para o público. |
Oficina
Aulas iniciam no dia 1º de agosto. Ao todo são 50 vagas. Interessados devem se dirigir até o primeiro dia da oficina, das 9h às 16h, ao Casarão das Artes.
A Secretaria de Cultura de Suzano está com inscrições abertas para a sexta oficina literária que será iniciada no dia 1° de agosto. Estão disponíveis 50 vagas e os interessados devem se dirigir até o primeiro dia da oficina, das 9h às 16h, ao Casarão das Artes (Rua 27 de outubro, 271 – Centro - Suzano). Os participantes com idade entre 16 e 18 anos devem trazer autorização por escrito do pai ou responsável no ato da inscrição. O foco da oficina será “Literatura e Técnicas de Redação”, que tem como objetivo auxiliar os contistas, prosadores, romancistas, escritores e poetas no geral. As aulas serão realizadas todas as terças e quintas-feiras, com a assessoria da Coordenadoria Literária, no Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi”, das 19h às 21h.
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Saudações a todos e todas. Este é o Fanzine Literatura Nossa nº 21. Mais um meio de divulgação dos trabalhos literários da Associação Cultu...
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Neste sábado 13/01 às 10h a Casa de Cultura Pq. São Rafael recebe a terceira edição do projeto Minha Literatura, Minha Vida...
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O projeto Imãs Poéticos reúne 11 poetas selecionados nos saraus realizados no Jardim Revista, em Suzano-SP e em escolas públicas da região....