13 junho, 2007

Jornal da Tarde


Periferia nas letras
Editora Global lança coleção ‘Literatura Periférica’


GEORGIA NICOLAU,

georgia.nicolau@grupoestado.com.br


Antes era sujeição, carência e inferioridade. Hoje, ser periférico está se tornando uma maneira de resistência e afirmação. A exemplo disso, o número de escritores das periferias do Brasil cresce em quantidade e qualidade. Ser da periferia significa pertencimento e identidade. “Sinto-me melhor quando anunciam a minha origem, de onde eu venho e sou”, explicou Sergio Vaz, morador do Taboão da Serra, autor de cinco livros. Vaz e mais quatro autores da periferia paulistana terão livros de sua autoria, todos já escritos em edições independentes, lançados pela Editora Global.
O primeiro livro a sair, no dia 5 de julho no Teatro Municipal de Taboão da Serra, será Colecionador de Pedras, de Vaz, 42 anos, com prefácio do escritor Reginaldo Ferreira da Silva, conhecido como Ferréz. Vaz tem uma longa história de ativista cultural e militante literário. Com sua primeira obra publicada em 1992, ele é um dos criadores do principal evento incentivador da literatura periférica, a Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), sarau semanal que acontece no bar do Zé Batidão no Capão Redondo, há mais de seis anos.

Literatura feita da “periferia para o mundo”, como explicou Ademiro Alves, o Sacolinha, 23 anos morador de Suzano. 85 letras e um disparo, segundo livro do autor , faz parte da coleção, reúne contos escritos por ele e traz a apresentação do gaúcho Moacyr Scliar e prefacio feito pelo escritor e colunista do Estado, Ignácio de Loyola Brandão.

Allan da Rosa, morador de Taboão da Serra, assim como Vaz, vai participar com Da Cabula - Istória pa tiatru, dramaturgia que já havia sido editada pelo seu próprio selo, o Edições Toró, através do qual lança outros autores também, com livros feitos artesanalmente e vendidos nas ruas, teatros, cinemas e saraus. Da Cabula conta a história de Dona Filomena da Cabula, camelô, moradora de quarto-cozinha em algum dos intermináveis bairros da periferia da Cidade, que sonha em aprender a ler e escrever. O livro terá prefácio de Zé Celso Martinez.

Também lançado pelo Edições Toró, Maria Nilda Mota de Almeida, a Dinha, 27, lança pela Global seu primeiro livro de poesias De passagem mas não a passeio, com prefácio da escritora carioca Elisa Lucinda. Formada em letras pela USP, Dinha começou a escrever em fanzines literários, os quais produz até hoje. Moradora até o ano passado da favela de Vila Cristina, no bairro Parque Bristol, assim ela se apresenta em seu livro: “Dinha é educadora, mediadora de leitura, fanzineira, mãe da Katrine e representante da literatura produzida nas periferias do Brasil afora.”

Suburbano convicto, Alessandro Buzo também começou escrevendo em fanzines e jornais de bairro. Sua estréia foi um livro sobre a situação precária dos trens que levam ao seu bairro, Itaim Paulista. Depois disso, já escreveu quatro livros, sendo que o último, Guerreira, conta a história de Rose, jovem em busca do amor.

Fonte: Jornal da Tarde

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Matéria da TVT sobre o projeto Literatura e Paisagismo - Revitalizando a Quebrada do escritor Sacolinha.