Crônica da semana

Deixa morrer

Marco Pezão

O Gafanhoto governou o Bosque do Rio durante 4 anos, e, elegeu sucessora, a esposa, primeira dama, gafonhata rósea, no concurso dos votos depositados em urnas. Eleições diretas. Referendo popular.

Manteve-se o espírito da governança. Comunhão em espécie. Mas sem ter a devida conta, o Bosque do Rio segue seu dia a dia, na mesma balada. Desigualdade eminente, baixa renda, desemprego, crimes.

Bosque do Rio que foi recanto da corte imperial, distrito federal, sempre cantada e lembrada como maravilhosa. Porém, o declínio social se estende além dos seus limites, em extenso território.

Configuram-se outros climas, maneiras. O país, e mesmo o mundo, sob o domínio de muitas diferentes aves.

O Gafanhoto, abrigado no florido peito governamental, se mantém atento aos vôos globais e rapinagens. Sonha, é claro, em expandir seu poder. Quer ser candidato a supremo mandatário da nação.

Mas, já no início da viagem, de súbito, aparece sob suspeição no arrecadamento de fundos para a campanha. Segundo denúncias, os doadores do dinheiro teriam sido favorecidos em seu governo.

O Gafanhoto endoidou. Mal abriu as asas e a tesoura passa rente corte. É preciso ação extrema, de contragolpe. Depois de confabular com a rósea Gafanhota, decide fazer greve de fome.

Diz-se injustiçado, sem igual tempo de resposta. Sente-se destratado pela mídia e adversários, que não o querem como concorrente. Exige, pois, a observância mundial no desenrolar do pleito. Cabendo a Deus, pela atitude em andamento, seu julgamento. E, se necessário for, seguirá a termo: sem alimentos até a morte.

Vinte e cinco gramas mais magro. A face abatida. A esverdeada honra escorrendo. A altivez pública manchada em complô. Declara ser alvo de campanha mentirosa e sórdida. Que quer ridicularizar seu comportamento ético e religioso.

O ortóptero não teme a morte, mas é assistido por um médico a todo instante. Sabe-se lá qual o efeito de um regime nessas circunstâncias; capaz de fazê-lo crer ser a ruptura do sistema neoliberal? Concluindo em êxtase; tão nefasto ao amado povo, que se vê cada vez mais restrito às oportunidades de desenvolvimento.

São muitas as mensagens de congratulações. De apoio e estima ao ato de relevada nobreza patriótica. O Gafanhoto, ex-governador do Bosque do Rio, que dorme na mesma cama com a Gafanhota, atual governadora, é uma vítima indefesa; sucumbindo às vistas claras de todos os colegas insetos que almoçam e jantam a mesa de todas as decisões.

Espécime da subordem do Acridoidea que se distingue das esperanças e assemelha-se aos grilos. Embora suprido de audição, é frágil o pensamento que o deixa, até o momento, 48 horas sem comer, tornando-o rebelde e mimoso como um garotinho.

Na ciranda demagógica da política sobram iguais acridianos que não hesitam entre o gafar e o garfar.

A plebe de tucuras antenadas, curtas e ligadas, ou tucaneses envolvidos, é o que dizem: deixa o Gafanhoto morrer.

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